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Rochas naturais no Espírito Santo: recorde e otimismo para 2025

As exportações este ano atingiram a impressionante marca de 1,3 milhão de toneladas, totalizando US$ 848,5 milhões

O setor de rochas naturais do Espírito Santo consolidou sua liderança em 2024, representando 82% das exportações nacionais e alcançando o maior faturamento da última década. Com uma alta de 8,3%, foram exportadas 1,3 milhão de toneladas, totalizando US$ 848,5 milhões.

“De forma geral, o ano de 2024 apresenta um saldo positivo para o setor de rochas naturais, tanto no mercado interno quanto no externo. A expectativa é que o ano se encerre com um volume total de vendas na ordem de R$ 15 bilhões, considerando ambos os mercados”, explica o presidente do Sindirochas, Ed Martins.

O presidente do Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (Centrorochas), Tales Pena Machado, explica que o Estado lidera tanto no valor do que é comercializado como no peso. “O Espírito Santo mantém-se amplamente à frente dos demais estados nas exportações brasileiras de rochas naturais, respondendo por aproximadamente 82% do faturamento nacional e 75% do peso total exportado de janeiro a outubro de 2024”, afirma.

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Esse desempenho, embora animador, deve ser analisado com cautela. Segundo Ed Martins, “a grande heterogeneidade do setor, em aspectos como porte das empresas, mercados de atuação, tipos de produtos comercializados e níveis de investimento, resulta em uma considerável variação nos resultados obtidos. Enquanto algumas empresas registraram expressivo crescimento em suas vendas, outras enfrentaram quedas em faturamento e resultados”.

Rochas naturais no Espírito Santo: recorde e otimismo para 2025
Rochas brasileiras: comercialização de chapas e blocos para países de outros continentes – Foto: Pedro Quitiba

Mas o momento é bom para o setor no Espírito Santo. Mesmo com a maior feira de mármore e granito do país tendo saído do Estado e migrado para São Paulo – agora com o nome de Marmomac Brazil 2025 –, o Espírito Santo ainda sairá beneficiado, acredita o presidente do Centrorochas.

“Para o Espírito Santo, essa transição traz benefícios importantes. A exposição ampliada e o acesso a novos mercados criam oportunidades significativas para as empresas capixabas”, acredita Tales.

Entre os desafios, Ed Martins destaca a deficiência na infraestrutura para o transporte de matérias-primas e o escoamento da produção. “Permanece essencial pleitear medidas que promovam a ampliação e a melhoria das nossas malhas rodoviárias e ferroviárias, além de fortalecer a infraestrutura portuária”, aponta.

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Inclusive, o problema no “déficit logístico” de exportação, que acomete o modal portuário do Espírito Santo, começou a ser resolvido. A falta de contêineres de 20 pés para acomodar as placas de pedras naturais nos navios está sendo suprida com uma iniciativa criada no Espírito Santo.

Rochas naturais no Espírito Santo: recorde e otimismo para 2025
Cada stonelift acomoda até 28 toneladas de chapas de pedras e Portocel é o primeiro terminal a movimentar a estrutura, uma novidade na logística para transporte de rochas – Foto: Divulgação

O “StoneLift”, a embalagem que funciona como uma alternativa aos contêineres convencionais, permite o transporte seguro e eficiente de até 28 toneladas de chapas de pedras naturais em cada unidade.

Em sua operação teste, realizada entre outubro e novembro deste ano, quatro unidades do sistema transportaram 86 toneladas de chapas de granito embarcadas em Portocel, no Espírito Santo, até o Porto de Arthur, no Texas.

Segundo Ed, outro ponto crítico, com reflexos no curto e longo prazo, “é a disponibilidade de mão de obra qualificada para atender às diversas funções necessárias ao setor. Essa carência limita o crescimento das empresas existentes e pode inviabilizar a instalação de novos empreendimentos em diferentes áreas”.

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Para ajudar o setor, o Centro Tecnológico do Mármore e Granito (Cetemag) tem investido na qualificação de mão de obra e no desenvolvimento tecnológico. “Este ano nos trouxe oportunidades para redefinição de ações a serem desenvolvidas, mantendo o foco no desenvolvimento tecnológico e inovação. Recentemente assinamos, juntamente com o Sindirochas e o Centrorochas, um termo de colaboração com o IFES, para o desenvolvimento de ações conjuntas de planejamento e desenvolvimento do Hub de Inovação, Distrito 28. Há ainda algumas iniciativas em curso com o Sebrae”, destaca Marcel Fiório, presidente do Cetemag.

Meta é atingir U$ 1,5 bilhão em exportações

A perspectiva para 2025 é otimista. O setor tem uma meta ambiciosa de atingir US$ 1,5 bilhão em exportações. De acordo com o presidente do Centrorochas, essa meta é baseada em uma série de ações, como o projeto It’s Natural – Brazilian Natural Stone, realizado em parceria com a ApexBrasil. Ele intensifica a comunicação no mundo todo sobre as pedras naturais do Brasil.

Rochas naturais no Espírito Santo: recorde e otimismo para 2025
A participação do Brasil em feiras internacionais é estimulada pelo projeto It’s Natural. Foto: Site Centrorochas

Outro ponto importante é a participação do setor de rochas capixaba em eventos “Bond”, que são encontros realizados para grupos específicos de arquitetos e designers internacionais. “Além disso, organizamos as tradicionais feiras Coverings, nos Estados Unidos, Marmomac, na Itália, Xiamen, na China, e Big 5 Global, em Dubai, realizamos estudos de mercados e missões prospectivas em regiões com potencial a ser explorado e compartilhamos com nossos associados”, detalha.

No quesito evolução e desenvolvimento, Marcel aponta que o Cetemag vai ajudar na busca de práticas de inovação. “Para 2025 trabalharemos na busca de levar conceitos e práticas de inovação ao setor de rochas naturais, no qual a inovação de processos já permitiu o aproveitamento de muitos materiais que não estariam no mercado, além da positiva contribuição para melhoria da competitividade do setor. A expectativa é de trabalhar em parcerias com a academia, outros Centros Tecnológicos, e entidades que fomentem o desenvolvimento econômico”, adianta o presidente do Cetemag.

*Esta matéria foi publicada originalmente na revista ES Brasil 225, publicada em dezembro de 2024. Leia a edição completa da Retrospectiva 2024 aqui.

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