Empresas recorrem à capacitação interna diante da falta de mão de obra preparada
Por Cínthia Ferreira
Impulsionada pela digitalização e pela automação, a modernização dos portos vem redefinindo não apenas as operações, mas também o perfil dos profissionais exigidos pelo setor. Se, por um lado, crescem as oportunidades para funções mais especializadas e tecnológicas, por outro, a velocidade dessa transformação escancara um descompasso: a formação da mão de obra ainda não acompanha o ritmo das novas demandas. Nesse cenário, a qualificação deixa de ser diferencial e passa a ser um dos principais gargalos para sustentar a expansão logística no Espírito Santo.
Se o setor cresce, a mão de obra precisa acompanhar — e esse ainda é um desafio no estado. Faltam profissionais qualificados sobretudo nas áreas técnicas ligadas à manutenção e operação industrial, como mecânica, elétrica, instrumentação, automação e metalmecânica.
Diante disso, empresas têm contratado trabalhadores menos experientes e investido em capacitação interna. A dificuldade aumenta quando se busca profissionais já preparados especificamente para o ambiente portuário.
Competências comportamentais também ganharam peso. Proatividade, responsabilidade, trabalho em equipe e aprendizado contínuo passaram a ser requisitos tão importantes quanto a formação técnica.

Larissa Fleischmann, gerente de Gente e Comunicação da Vports, opina que “cada vez mais, há interesse por competências relacionadas a valores que orientam não só o que se faz, mas o como se faz. Percebemos, por exemplo, que além de ter um olhar apurado para a segurança, que é um valor fundamental nas operações industriais em geral, o profissional deve cultivar atributos como resiliência, inconformismo positivo, disposição para o desenvolvimento e inteligência emocional para lidar com mudanças e se adaptar”.
Essa matéria foi publicada originalmente na Edição 232 da Revista ES Brasil — Portos: O Poder da Logística, de março de 2026. Clique neste link para conferir a edição completa.

