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Cooperativismo ganha força com inovação e diálogo

Presidente da Acevila e diretor do Sicoob Coopermais, Éder Lemke destaca o papel da tecnologia, da cooperação e do associativismo no desenvolvimento econômico

Por Nathanael Rodor

O cooperativismo brasileiro passa por um momento de expansão impulsionado pela tecnologia, mas sem abrir mão do relacionamento entre as pessoas. Essa é a avaliação de Éder Lemke, diretor executivo do Sicoob Coopermais e presidente da Associação dos Empresários de Vila Velha (Acevila), que participou do Café com Moqueca para discutir os desafios e as oportunidades do cooperativismo, do associativismo e da inovação. Segundo ele, embora a transformação digital tenha revolucionado o sistema financeiro, a essência do modelo cooperativista continua baseada na participação coletiva e na construção de soluções em conjunto.

Com 26 anos de atuação no cooperativismo de crédito, Lemke relembrou que sua trajetória começou em Santa Maria de Jetibá, onde deu os primeiros passos na área de tecnologia ao criar pequenas melhorias em processos internos da cooperativa. A experiência despertou seu interesse pela inovação e o levou a empreender no desenvolvimento de soluções para cooperativas em todo o país antes de retornar ao Sicoob como diretor executivo. “A grande parte das inovações é incremental. São pequenas melhorias que, no dia a dia, trazem muito resultado para as empresas”, afirmou.

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Durante a entrevista, o executivo explicou as diferenças entre cooperativismo e associativismo e destacou que ambos têm em comum a capacidade de reunir pessoas em torno de objetivos compartilhados. No cooperativismo, os associados também são donos da instituição e participam dos resultados financeiros. Já no associativismo, o foco está na construção de agendas coletivas voltadas ao desenvolvimento econômico e social. Para Lemke, um dos maiores desafios ainda é tornar esses modelos mais conhecidos pela sociedade. “O grande concorrente do cooperativismo é o desconhecimento. Quando as pessoas entendem como ele funciona, percebem o potencial desse modelo”, destacou.

Ao abordar a transformação digital no sistema financeiro, Lemke afirmou que o cooperativismo acompanhou a evolução de ferramentas como Pix, Open Finance e inteligência artificial, incorporando novas tecnologias para ampliar a eficiência e personalizar o atendimento. Apesar disso, defendeu que a inovação deve fortalecer, e não substituir, o relacionamento entre cooperativa e associado. “Nenhuma tecnologia vai substituir o olho no olho. Ela encurta caminhos, melhora processos, mas a essência continua sendo a conexão entre as pessoas”, disse.

Na presidência da Acevila desde maio deste ano, Lemke também apresentou sua visão para o fortalecimento do associativismo em Vila Velha. Entre as prioridades estão ampliar a participação dos empresários nas discussões sobre o desenvolvimento do município, estimular ambientes de inovação e aproximar o setor produtivo do poder público. Para ele, tecnologia, diálogo e cooperação serão fatores decisivos para impulsionar tanto o cooperativismo quanto o associativismo nos próximos anos. “Quanto mais gente participa, mais esses movimentos crescem e mais conseguem contribuir para o desenvolvimento das cidades e da sociedade”, concluiu.

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