Com elevação de 39% nas exportações, a pedra está na lista de exceção tarifária, o que ajudou o setor de rochas a alcançar US$ 1,35 bilhão
Por Amanda Amaral
O Brasil alcançou o maior volume exportado em rochas naturais totalizando o valor de US$ 1,35 bilhão, entre janeiro e novembro deste ano, alta de 18,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado superou o recorde registrado em 2021 de US$ 1,34 bilhão. O Espírito Santo foi responsável no período por 79,3% do que foi exportado pelo país.
Até outubro, o total era de US$ 1,24 bilhão. As informações são da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) – com sede em Vitória. A entidade destacou as quedas expressivas nas exportações de granitos e mármores provocadas pelo tarifaço dos Estados Unidos, mas ressaltou as ações institucionais, que ajudaram a conter perdas e sustentar o crescimento do setor.
Na verdade, entre janeiro e novembro, houve aumento de 15,7% nas exportações para os Estados Unidos, principal importador das pedras naturais do Brasil, com 54,4% de participação. No período, as exportações brasileiras do setor para norte-americanos totalizaram US$ 735,4 milhões. Lá, o uso dos materiais predomina em bancadas de cozinha e banheiro.
Em seguida, surgem a China e Itália concentrando as exportações do setor de rochas, com grande demanda para blocos brutos, que são beneficiados nestes países e distribuídos de lá para diversos mercados. Segundo a Centrorochas, o modelo voltado à reexportação funciona quando há entraves logísticos para o Brasil – distância física, alto custo de transporte e o longo tempo de entrega. Mas a Associação destacou o forte aumento das importações italianas, o que demonstra a crescente valorização dos materiais nacionais no mercado internacional.
Portfólio
Contudo, a imposição das tarifas de 50% pelos EUA afetou parte relevante do portfólio exportado pelo Brasil. Até novembro, os granitos recuaram 17,3%, e os mármores 16,5%, reduzindo a competitividade desses produtos no mercado americano. São as pedras mais exportadas, depois do quartzito.
Já este, registrou elevação de 39% nas exportações do setor de rochas, entre janeiro e novembro de 2025. Vale destacar, que o produto está enquadrado no único código referente ao setor de rochas incluído na lista de exceção à tarifa adicional (HTSUS 6802.99.00).
Internacionalização
O ano de 2025 também foi marcado por avanços estratégicos na internacionalização do setor de rochas naturais brasileiro, movimento que ganhou força após os impactos do tarifaço dos EUA. Está em estudo a implantação do Brazilian Natural Stone Hub, nos Emirados Árabes.

“Os resultados alcançados até novembro mostram a força da nossa indústria e a importância do trabalho coletivo que temos conduzido para fortalecer a presença internacional do setor. Em um ano marcado por desafios, especialmente nos Estados Unidos, atuamos de forma intensa para mitigar os efeitos do tarifaço, avançamos na consolidação de novos mercados e ampliamos nossa atuação no Oriente Médio, região onde o Brasil ainda tem pouca representatividade direta, já que grande parte dos materiais chega por meio de países geograficamente mais próximos”, explica o presidente da Centrorochas, Tales Machado.
Confira os 5 maiores estados brasileiros exportadores de rochas naturais:
- Espírito Santo – 79,3%
- Minas Gerais – 8,8%
- Ceará – 7,1%
- Bahia – 2,1%
- Rio Grande do Norte – 1,1%
Fonte: Associação Brasileira de Rochas Ornamentais (Centrorochas), levantamento de janeiro a novembro de 2025.

