- Continua após a publicidade -

Rochas naturais: ES fatura bilhões e conecta cadeia global

Setor de rochas no Espírito Santo avança no mercado internacional e concentra quase 80% das exportações do Brasil

Por Amanda Amaral 

O Espírito Santo possui hoje o principal arranjo produtivo de rochas do Brasil – quarto maior exportador de pedras naturais do mundo, se consolidando como um hub global que bate recorde de exportação. O Estado é a maior plataforma de beneficiamento, processamento, exportação, inovação tecnológica e articulação internacional do setor no país.

Do recorde de faturamento em 2025, US$ 1,48 bilhão, o Espírito Santo teve participação de 78,5%, ditando o padrão de qualidade e acabamento aceito pelo mercado norte-americano – o maior comprador das rochas naturais brasileiras. 

- Continua após a publicidade -

“Se você quiser montar uma indústria do setor de rochas, o melhor local é o Espírito Santo. É mais fácil para manutenção, para comercialização. Mineração existe em vários estados, e uma parte está no Espírito Santo também. Mas chegam materiais do país inteiro para o Estado, quase 80% das exportações saem pelos portos capixabas”, disse o presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), Tales Machado. 

Para se ter uma ideia, Minas Gerais (9,1%) e Ceará (7,4%) foram os outros dois estados que mais exportaram ano passado. Além disso, o setor de rochas passou por uma transformação histórica nos últimos anos, migrando da exportação de blocos brutos para o envio de chapas lustradas (segundo estágio de industrialização). 

Conteúdo em Alta

Contorno de Ibiraçu: começam as obras na BR...
Rochas naturais: novos portos no ES impulsionam meta...
Feiras de rochas já geram US$ 21,3 milhões...
Setor de rochas quer alcançar US$ 3 bilhões...
Logística no ES: confira impacto de mapa inédito...
Setor de rochas mira mercado dos EUA em...
ParkLog: ES foca em Porto de Ubu para...
ES: Estado se prepara para criação do Fundo...
Domingos Martins terá nova fábrica de tilápia
Setor de rochas ganha espaço de capacitação em...

Ticket médio

O ticket médio no setor de rochas ornamentais é o indicador da transição do Espírito Santo de um fornecedor de commodity para um fornecedor de produtos com valor agregado. No ano passado, houve elevação de 14,2% no preço médio de exportação em relação a 2024.

“Esse é o grande volume do Espírito Santo. O Estado ainda faz poucas obras no exterior, que seria o terceiro ciclo, o acabamento mesmo. Mas a gente avançou muito, porque antigamente só se exportava o bloco e hoje exportamos a chapa lustrada, que tem um valor agregado maior”, explicou. 

- Continua após a publicidade -

O Estado concentra a tecnologia necessária para essa transição, tendo a maior rede de beneficiamento de rochas do Hemisfério Sul e detendo a liderança tecnológica em maquinários de corte, polimento e design, com equipamentos de ponta importados da Itália e da China, segundo Machado. 

Mais de 1.600 empresas do segmento estão na Centrorochas, em sua maioria do Espírito Santo, de acordo com Machado: “o que há de melhor em equipamento e industrialização de rochas naturais no mundo, existe no arranjo produtivo do Espírito Santo”, disse. 

Tarifaço

Mesmo com barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos a diversos produtos brasileiros, em 2025, o setor de rochas conseguiu aumentar o faturamento. O mercado norte-americano continua disposto a pagar mais pelo design e acabamento superior que só as empresas capixabas entregam. 

Machado ressalta que o quartzito — um material nobre, de alta dureza e com extração e industrialização mais caras — não foi tarifado. “A isenção foi favorecida pela forte atuação de entidades parceiras nos Estados Unidos em conjunto com a Centrorochas, visto que o Brasil é quase o fornecedor exclusivo global desse material”, disse.

- Continua após a publicidade -

Com a taxação de produtos mais baratos (como mármores, granitos e ardósias), fornecedores e compradores redirecionaram o fluxo de negócios para o quartzito. “Isso elevou o ticket médio. Em quantidade, foi quase a mesma coisa. Mas em valor, nós batemos o recorde de todos os tempos, quase US$ 1,5 bi”, contou. 

Novos mercados 

O setor capixaba provou que, diante de barreiras comerciais (como as tarifas nos EUA), a estratégia de “inteligência comercial” permitiu ampliar diálogo com novos mercados, como o Oriente Médio, onde o uso de quartzitos capixabas em projetos de luxo cresceu quase 200%. 

Em 2025, foi assinado um Memorando de Entendimento entre o setor de rochas do Brasil e o Porto de Abu Dhabi (AD Ports Group) para a criação de um hub do setor nos Emirados Arabes. “Há alguns anos, nós participamos de todos os eventos lá, e vem crescendo bastante a exportação para o Oriente Médio”, contou. 

ES Brasil (5)
Tales Machado é presidente da Centrorochas. Foto: divulgação/Centrorochas

Um exemplo recente é o estudo sobre o mercado francês de ardósia, que o setor está desenvolvendo por meio do projeto setorial com a ApexBrasil. A França é hoje o maior importador mundial desse material, mas ainda compra pouco do Brasil. 

“Nosso objetivo é entender melhor esse mercado, identificar oportunidades e apoiar as empresas brasileiras na ampliação de sua presença internacional. Esse trabalho será complementado por uma missão prospectiva ao país ainda este ano”, mencionou Machado.

Outra iniciativa é o desenvolvimento do EPD Setorial (Declaração Ambiental de Produto), que permitirá demonstrar o desempenho ambiental das rochas naturais brasileiras com base em metodologia reconhecida internacionalmente. “Trata-se de uma ferramenta importante para atender às exigências de mercados cada vez mais atentos à sustentabilidade e à rastreabilidade dos produtos”, disse o presidente do Centrorochas. 

Diversidade 

O Espírito Santo exporta quartzitos exóticos e materiais de nicho que possuem um valor de mercado muito superior aos granitos convencionais. Para Machado, o grande diferencial competitivo do Brasil no exterior é a sua vasta geodiversidade. 

“Os acabamentos – bancada, soleira, revestimento de parede, peças, móveis, todo tipo de design, é feito nos EUA. Hoje, existem muitos arquitetos trabalhando com rochas, buscando criatividade. Por isso, temos uma parceria muito grande com as entidades americanas, que são muito parceiras, eles têm total interesse na matéria-prima brasileira” disse. 

Para Machado, os arquitetos, designers e especificadores, tanto no Brasil quanto no exterior, têm papel fundamental na definição dos materiais utilizados nos projetos e ajudam a ampliar o reconhecimento das rochas brasileiras em mercados estratégicos.

aiease_1781041422584
Pedro de Sá é subsecretário de Estado de Competitividade. Foto: divulgação/Sedes

Além disso, ele afirma que os pavilhões brasileiros são os mais visitados em feiras internacionais do setor de rochas naturais. “Todo dia as empresas do Brasil estão apresentando novos materiais, isso é impressionante, por isso tanta atratividade”, conta.  

Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, as rochas ornamentais representam a capacidade do setor de agregar valor, inovar e competir globalmente. Segundo ele, trata-se de uma indústria estratégica para o desenvolvimento do Espírito Santo, que fortalece cadeias produtivas, impulsiona a logística e contribui para a interiorização do crescimento econômico. 

“O setor de rochas ornamentais é um exemplo da força da indústria capixaba no mundo. O Espírito Santo lidera a produção e as exportações brasileiras do segmento, levando nossos produtos para os principais mercados do mundo e gerando emprego, renda e oportunidades em diversas regiões do Estado”, afirmou Baraona.

Competitividade

Cidades como Cachoeiro de Itapemirim, Barra de São Francisco, Castelo, Serra e Colatina não apenas sobrevivem, mas prosperam a partir dessa fatia de mercado. É uma economia capilarizada que sustenta milhares de empregos qualificados.

Os resultados demonstram a relevância dessa cadeia produtiva para a economia capixaba. De acordo com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento (Sedes), atualmente, o setor de rochas naturais é responsável pela geração de mais de 10 mil empregos e por investimentos acumulados superiores a R$ 12 bilhões no Estado.

No Espírito Santo, destaca-se ainda o Programa de Desenvolvimento e Proteção à Economia do Estado do Espírito Santo (Compete-ES), gerido pela Sedes. No caso do setor de rochas naturais, ele busca estimular investimentos e criar condições favoráveis para a expansão de empreendimentos e atração de novos investimentos. No Estado, 134 empresas utilizam o benefício.

O-presidente-da-Findes-Paulo-Baraona-e-o-novo-coordenador-do-FEF.-Credito-
Paulo Baraona é presidente da Findes. Foto: divulgação/Findes

“O setor conta com um ambiente favorável à industrialização e à agregação de valor, o que contribui para consolidar o Espírito Santo como referência nacional e internacional no beneficiamento e processamento de rochas”, afirmou ou subsecretário de Estado de Competitividade, Pedro de Sá.

Para Sá, são fatores que tornam o Espírito Santo uma referência mundial no segmento: a tradição empresarial do setor, a mão de obra especializada, a infraestrutura logística e a forte concentração de empresas dedicadas ao beneficiamento e à comercialização de rochas ornamentais. 

“Esse conjunto de fatores tem contribuído para consolidar o Estado como um dos principais polos globais de inteligência, processamento e exportação de rochas ornamentais”, explicou Sá. 

Águas profundas 

No entanto, o segmento ainda enfrenta gargalos logísticos devido à falta de um porto de águas profundas no Estado. Segundo Machado, a produção é escoada majoritariamente por cabotagem até o Rio de Janeiro e São Paulo, de onde segue para o destino final, gerando custos adicionais e maior tempo de trânsito.

Essa realidade deve mudar com a entrada em operação, em Aracruz, do Porto de Imetame – que prevê a movimentação de cargas mistas de contêineres e permitirá o recebimento de navios de calado profundo a partir de 2028. 

Somado a isso, no mesmo município, está em implementação o ParkLog Espírito Santo – complexo industrial e logístico, que prevê uma ZPE – Zona de Processamento Exterior. “Com o Porto da Imetame, essa realidade fica muito mais competitiva”, explicou Machado. 

Recentemente, também foi anunciada a criação do ParkLog Sul Capixaba (inspirado no primeiro projeto) na Região Sul do Espírito Santo, e o Governo do Estado revelou interesse em ampliar a atuação do Porto de Ubu, da Samarco, para usos múltiplos.

Leia Mais

Dia dos Namorados: veja os presentes que ficam...
ES fatura US$ 141,7 milhões com venda de...
Tensão entre EUA e Irã trava hub logístico...
ES lidera recorde brasileiro de exportações de rochas;...
MPES e Findes ampliam cooperação no Espírito Santo
Setor de rochas do ES domina 40% da...
Rochas ornamentais: ES participa da 1ª reunião global...
Governo do ES dá apoio a empresas em...
Hospital do ES é o 5º mais bem...
Marmomac reúne gigantes do setor; confira o papel...

Receba notícias exclusivas no seu WhatsApp

Contéudos especiais no seu email. Receba hoje!

- Continua após a publicidade -
- Publicidade -

EDIÇÃO DIGITAL

Edição 233

RÁDIO ES BRASIL

Continua após publicidade

MAIS ES BRASIL

- Publicidade -

Política e ECONOMIA

Matérias relacionadas

- Continua após a publicidade -