Iniciativa em Vargem Alta promove uso gastronômico sustentável de espécies nativas e educação ambiental para 30 alunos por mês
Por Ludmila Azevedo
Na gastronomia, a sustentabilidade vem sendo associada à valorização da biodiversidade e das comunidades locais. No interior de Vargem Alta, o chef Ricardo Silva, do Cozinha Rústica Bistrô, desenvolve o projeto “Experiência Sabores da Natureza”, ao lado do ambientalista Adenilson Panzin, promovendo o uso gastronômico de espécies da Mata Atlântica.
Segundo o chef, o projeto nasceu do contato mais profundo com o bioma capixaba e da descoberta de ingredientes pouco valorizados. “Comecei a olhar melhor para a Mata Atlântica e a trazer esses elementos para os meus pratos. Essa conscientização se transformou em uma experiência gastronômica para quem frequenta o restaurante”, conta.
O trabalho também envolve ações de educação ambiental em reservas particulares e escolas da região. Ricardo acredita no poder transformador da conscientização, mostrando, na prática, que preservar é melhor do que destruir.
“Hoje a gente tem esse projeto aberto em algumas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) aqui na região, e a cada mês temos cerca de 30 alunos participando da ação. A gente leva essas turmas para um passeio no meio da mata e mostramos o impacto da ação humana no meio ambiente. Um exemplo que usamos é o da guabiroba gigante, fruta endêmica da nossa região que está extinta desde 1957. Hoje a gente faz uma tentativa de multiplicar essa planta, essa árvore, que foi clonada para ser novamente introduzida na Mata Atlântica. Se essa fruta fosse conhecida e trabalhada há 50, 60 anos atrás, hoje a gente teria mais uma opção rica em sabor para a nossa mesa”.
O profissional destaca ainda que o uso de espécies nativas pode gerar renda para comunidades rurais e fortalecer a economia local. “Muitas vezes as pessoas têm riquezas ao redor e não percebem. A natureza oferece produtos que podem gerar renda, memória afetiva e conexão com o território”, diz. “A sustentabilidade pode mudar a mentalidade das pessoas através da comida, das experiências e do conhecimento”, resume.
O diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, reforça que as práticas sustentáveis podem ser aplicadas às rotinas de empresas dos mais diversos segmentos. “Entendemos que a transição para uma economia mais sustentável precisa envolver todos os setores produtivos. Hoje, a sustentabilidade deixou de ser um tema restrito às grandes empresas ou a segmentos específicos. Percebemos esse movimento se tornando cada vez mais transversal, alcançando negócios do comércio, dos serviços, da indústria, do agronegócio e do turismo, por exemplo”.
O que se observa é que, cada vez mais, as empresas de diversos portes e segmentos compreendem que práticas sustentáveis podem gerar economia, ganhos de eficiência e uma posição mais consolidada no mercado.
Essa matéria é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

