Especialistas debatem estratégias para ampliar acesso ao turismo, gerando renda e valorizando culturas locais no Espírito Santo
Por Erik Oakes
O turismo ainda é um privilégio para poucos — e mudar esse cenário foi o ponto central do ES Brasil Debate – Inclusão Social no Turismo do Espírito Santo. Especialistas, gestores e representantes do setor discutiram como ampliar o acesso ao lazer e à cultura para pessoas de baixa renda, tornando o turismo uma ferramenta de inclusão e desenvolvimento humano.
O subsecretário de Estado de Gestão e Marketing Turístico, Luciano Machado, destacou que o Estado tem avançado na construção de políticas públicas participativas e integradas. “Hoje, de ponta a ponta, as pessoas se sentem responsáveis pelo desenvolvimento do turismo. O empreendedor já pensa em acessibilidade e inclusão como parte do negócio”, afirmou. Segundo ele, a criação de instâncias regionais de debate e a presença de entidades como Sebrae e Fecomércio têm fortalecido a gestão descentralizada do setor.
Representando o sistema Fecomércio, José Antônio Boff Buffon reforçou o papel do Sesc na democratização do lazer. “O SESC é o serviço social do comércio, da indústria, do comércio comércio dos serviços, em que ele está voltado para atender a família do comerciante. Hoje o SESC e o Senac, da Federação do Comércio, estão fortemente envolvidos nessa perspectiva da inclusão das pessoas. Nós entendemos que o turismo, ele melhora a nossa sociedade como um todo”, explicou.
Ele lembrou ainda que o turismo é um reflexo da prosperidade de um território: “Quando o turismo vai bem, é sinal de que toda a região vai bem.”
A turismóloga Aline Luz, do Instituto Federal do Espírito Santo, trouxe a visão da academia sobre o tema. Para ela, o turismo sustentável começa quando se torna possível para quem antes não tinha acesso. “Quando o turismo se torna uma experiência possível para as pessoas das periferias e comunidades rurais, ele se torna uma atividade transformadora, libertadora”, afirmou.
O debate também ressaltou que o turismo social pode gerar renda e fortalecer identidades culturais. Buffon defendeu que os roteiros devem ser construídos a partir do olhar das próprias comunidades, e não impostos de fora. “É a comunidade que deve decidir como quer se apresentar. O visitante não vai para observar a pobreza, mas para compartilhar experiências e valorizar culturas locais.”
Exemplos como o da comunidade quilombola Córrego do Sossego, no Caparaó, mostram que a inclusão é possível. Com apoio técnico e organização local, o grupo passou a receber cicloturistas e visitantes, transformando o turismo em fonte de renda e autoestima. O consenso entre os debatedores é claro: democratizar o turismo é também democratizar o direito ao lazer, à cultura e ao desenvolvimento — e o Espírito Santo começa a trilhar esse caminho.

