Espírito Santo amplia práticas ESG, incentiva reflorestamento e prepara produtores para atender exigências internacionais
Por Ludmila Azevedo
A sustentabilidade no campo, antes considerada apenas uma pauta ambiental, transformou-se em estratégia econômica e de competitividade no Espírito Santo. Responsável por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, o agronegócio absorve 33% da população economicamente ativa e representa a principal atividade econômica em 80% dos municípios capixabas, segundo dados do Governo do Estado.
O peso do setor aparece no mercado internacional. Em 2025, o agro capixaba exportou US$ 3,21 bilhões – cerca de R$ 17,2 bilhões – para 133 países, respondendo por 30,7% das exportações do Espírito Santo. Nesse cenário, práticas ligadas também à sustentabilidade, rastreabilidade e governança passaram a ser decisivas para garantir acesso aos mercados mais exigentes do mundo.
O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, destaca, por exemplo, que a adoção dos critérios ESG (ambiental, social e governança) já vem mudando a forma como o café capixaba se posiciona no exterior.
Segundo ele, enquanto o mercado tradicional do café cresce cerca de 1,5% ao ano, o segmento de cafés sustentáveis e de qualidade avança entre 13% e 15% anualmente. “É um caminho sem volta. A sustentabilidade é requerida pelos consumidores e pelos mercados compradores”, diz.
Hoje, mais de 6500 propriedades rurais capixabas já participam do currículo mínimo de sustentabilidade desenvolvido pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), em parceria com instituições do setor. A meta é chegar a 25 mil propriedades até 2030.

O modelo acompanha 39 indicadores relacionados aos pilares econômico, ambiental e social. Entre eles estão produtividade, rastreabilidade, preservação de nascentes e áreas de mata ciliar, eficiência energética, manejo de resíduos, cumprimento da legislação trabalhista, sucessão familiar e segurança no trabalho rural.
“O produtor já percebeu que ser sustentável garante a produção para as próximas gerações. Se não for sustentável, vai degradar o solo e comprometer a renda futura”, afirma Bergoli.
A estratégia de posicionar o Espírito Santo como referência nacional e internacional em café sustentável também ganhou uma marca própria no mercado internacional: “Sustainable Coffee – Espírito Santo – Brazil”. Lançada no ano passado, a iniciativa é do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/ES), em parceria com a Seag, para promover a cafeicultura capixaba como uma atividade alinhada às práticas sustentáveis, de acordo com aspectos ambientais, sociais e econômicos.
Essa matéria é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

