
Mulheres lideram 33% dos pequenos negócios no Espírito Santo, fortalecendo práticas ESG e promovendo impacto social e econômico positivo
Por Jhenifer Ribeiro Soares
Por muito tempo, falar de sustentabilidade esteve associado a questões ambientais. Hoje, a agenda ESG evidencia que o desenvolvimento sustentável passa pela inclusão, pela diversidade e pela capacidade de gerar impacto positivo nos territórios. Nesse contexto, a liderança feminina ocupa um espaço cada vez mais estratégico nos pequenos negócios.
No Espírito Santo, esse movimento já apresenta resultados concretos. Dados do Sebrae/ES apontam que as mulheres representam um terço dos empreendedores capixabas. Elas atuam em setores ligados a serviços, comércio e alimentação, segmentos que movimentam a economia e mantêm forte conexão com as comunidades. Assim, geram renda, fortalecem vínculos sociais e ampliam oportunidades em diferentes territórios.
A presença feminina também contribui para modelos de gestão mais humanizados, resilientes e conectados às necessidades do mercado. Mais de 80% das mulheres empreendedoras gerenciam seus negócios sozinhas, segundo pesquisa do Sebrae/ES. Elas acumulam funções e desenvolvem competências relacionadas a adaptação, proximidade com clientes e capacidade de inovação. Esse perfil dialoga diretamente com os princípios do ESG no aspecto social, ao valorizar relações mais transparentes, sustentáveis e responsáveis.
O protagonismo feminino se torna mais evidente na cafeicultura capixaba. Mulheres têm ampliado sua participação na cadeia produtiva do café, desde a produção até a gestão de cooperativas e associações. Em regiões reconhecidas por indicações geográficas, como Caparaó e Montanhas do Espírito Santo, elas fortalecem práticas sustentáveis, impulsionam certificações e agregam valor ao produto por meio da rastreabilidade, da origem e do propósito.
O café capixaba mostra como território, tradição e inovação podem caminhar juntos. Hoje, consumidores buscam mais do que qualidade: querem conhecer a origem do produto, entender o impacto social gerado e se conectar a histórias autênticas. Nesse cenário, o Espírito Santo constrói uma identidade competitiva baseada na combinação entre sustentabilidade, empreendedorismo e valorização cultural. O café deixa de ser apenas um produto agrícola e passa a representar pertencimento, experiência e posicionamento de mercado.
Ao mesmo tempo, cresce também a percepção de que a diversidade é um diferencial competitivo e que ambientes diversos ampliam a capacidade de inovação, fortalecem conexões com consumidores e tornam os negócios mais preparados para lidar com transformações econômicas e sociais.
Para os pequenos negócios, que de acordo com estudos do Sebrae/ES somam quase 90% das empresas do estado, aplicar o ESG também deixou de ser algo distante. Muitas práticas começam na gestão cotidiana: organização financeira, transparência, valorização das pessoas, redução de desperdícios e compromisso ético nas relações comerciais. Além de sustentabilidade e estratégia para gerar competitividade, fortalece a reputação e acessa mercados exigentes.
O Espírito Santo reúne características importantes para se consolidar como referência nesse modelo de desenvolvimento. A força dos pequenos negócios, a valorização do território, o crescimento do ecossistema de inovação e o protagonismo feminino criam um ambiente favorável para uma economia mais inclusiva, sustentável e conectada às novas demandas do mercado. Mais do que acompanhar tendências, lideranças femininas têm mostrado que é possível transformar propósito em desenvolvimento real para os negócios, para as comunidades e para o futuro dos territórios.
Jhenifer Ribeiro Soares é analista técnico da Unidade de Competitividade e Produtividade do Sebrae/ES
Esse artigo é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

