
Portos brasileiros investem em ESG, modernizando operações e aumentando segurança, produtividade e governança ambiental
Por José Ernesto Conti
Nenhum empresário ou empresa, de forma consciente, poderia pensar em alguma atividade econômica sem levar a sério as práticas ambientais em sua vida empresarial. Arrisco dizer que até a virada do milênio, poucas empresas estavam envolvidas com a questão ESG – Environmental, Social, and Governance (Ambiental, Social e Governança), ou seja, com uma política séria que ligasse sua cadeia produtiva a um conjunto de critérios e práticas organizacionais que avaliariam o impacto de sua responsabilidade social e da sustentabilidade, como um valor a ser definido no meio em que a empresa está implantada, com o propósito de, da mesma maneira que avaliávamos no passado, o lucro financeiro, possamos valorar essa empresa também pelo seu sistema de governança holístico que engloba finança e ESG em um mesmo patamar.
Concordo que nem todas as empresas estão preparadas para essa evolução que já tomou conta de cenário econômico mundial. O ambiente de negócios no Brasil tem sido sufocante para a maioria dos pequenos e médios empresários brasileiros. Se de um lado o governo tem consumido o caixa das empresas, não só com alíquotas maiores de impostos, mas também com a criação de novos impostos, o que torna a “Curva de Laffer” uma realidade cruel no Brasil, nesse cenário quem mais sofre são as “pontas”, ou seja, aqueles que está no início ou no final dessa cadeia inglória, quem produz a matéria prima, ou quem está no final da cadeia, ou seja, os portos. Mas há luz no fim desse túnel!
Até a pouco tempo atrás, os portos apenas faziam seus embarques, sem se preocupar com as melhores práticas ambientais, até porque são áreas que dificultam a entrada ou a permanência das pessoas ou empresas em seu raio de ação, que utilizam máquinas e equipamentos de grande porte, que recebem suas cargas prontas para serem embarcadas e seus clientes (navios e embarcadores) exigem que essa operação seja feita em prazos extremamente reduzidos. Entretanto essas dificuldades que serviram de “escudo” por um bom tempo, não pode eximir os portos da sua responsabilidade para com a melhores práticas de ESG. Sabemos que 99% das pessoas trabalham nos portos, estão focadas em embarcar ou descarregar o navio, mas como diria o Barão de Itararé, há mais “coisas no mar que só os navios de carga”, a realidade dos portos está mudando e isso é muito bom.
Percebemos que boa parte dos Terminais de Carga, sejam de cargas líquidas ou sólidas, sejam de grãos ou de siderúrgicos, sejam de cargas gerais ou de containers, a preocupação com a ESG, tem se tornado uma prática saudável onde todos saem ganhando. E a melhor parte dessas mudanças, está na melhoria dos serviços prestados. Finalmente, boa parte dos portos brasileiros tem se modernizado com equipamentos automatizados, que além de melhorar a prancha de embarque, tem reduzido substancialmente os acidentes de trabalho, já que necessita de menos operadores para fazer o mesmo serviço, que podemos dizer: essas mudanças vieram para ficar. Creio que nos próximos 10 anos, os portos brasileiros competirão com os melhores portos europeus e chineses em produtividade, segurança, governança e práticas ambientais.
Por mais que nosso país ainda esteja dependente das questões políticas e jurídicas instáveis, tudo nos leva a crer que as mudanças virão. Um país com o potencial do Brasil, não pode ficar refém de grupos que impedem uma evolução natural. Essa evolução finalmente chegou nos portos, a ponta extrema de toda a cadeia produtiva, e é isso que nos confirma que estamos no caminho certo para um país que quer ser relevante nos próximos anos.
José Ernesto Conti é Engenheiro e CEO da SPINOLA Serv. Marítimos Ltda.
Esse artigo é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

