
O comércio eletrônico no Espírito Santo atingiu R$ 44 bilhões em faturamento em 2025, com crescimento de 44% e avanço na arrecadação de ICMS
Por Alexandre Malta
Durante muito tempo, a força econômica do Espírito Santo esteve associada aos portos, ao comércio exterior, à indústria e ao agronegócio. Esses setores continuam fundamentais, mas uma nova economia vem ganhando protagonismo e ajudando a transformar o perfil produtivo do Estado: a economia digital.
Nos últimos anos, o comércio eletrônico deixou de ser apenas um canal alternativo de vendas para se tornar uma atividade estratégica. Empresas que antes atuavam localmente passaram a atender consumidores em todo o país, ampliando mercados, gerando empregos e movimentando uma extensa cadeia de serviços que envolve logística, tecnologia, marketing, meios de pagamento e atendimento ao cliente.
Os números ajudam a dimensionar essa transformação. De acordo com dados da Secretaria da Fazenda do Espírito Santo, o setor de comércio eletrônico e vendas não presenciais beneficiado pelo Compete-ES movimentou cerca de R$ 44 bilhões em faturamento em 2025, um crescimento de aproximadamente 44% em relação aos R$ 30,5 bilhões registrados em 2024. No mesmo período, a arrecadação de ICMS vinculada às empresas do segmento alcançou R$ 651,2 milhões, avanço superior a 22%.
Talvez o dado mais emblemático dessa evolução seja a relevância que o segmento alcançou dentro da política de desenvolvimento econômico do Estado. Atualmente, o comércio eletrônico e as vendas não presenciais formam o segundo maior setor em número de empresas ativas no Compete-ES, atrás apenas do comércio atacadista.
Esse crescimento não acontece por acaso. Ele é resultado de uma combinação de fatores que inclui localização estratégica, infraestrutura logística, ambiente de negócios competitivo e uma cultura empreendedora que busca constantemente inovação e eficiência. A proximidade com os principais centros consumidores do país e a integração entre modais de transporte criam condições favoráveis para operações cada vez mais rápidas e competitivas.
O avanço do setor também acompanha uma tendência nacional. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, o e-commerce brasileiro deverá movimentar mais de R$ 235 bilhões em 2026. Trata-se de um mercado que cresce sustentado pela digitalização do consumo, pela expansão dos meios de pagamento eletrônicos e pelo aumento da confiança dos consumidores nas compras realizadas pela internet.
Mas os desafios permanecem. A economia digital exige investimentos contínuos em tecnologia, qualificação profissional, conectividade e segurança jurídica. A capacidade de adaptação se torna tão importante quanto a capacidade de produzir. Empresas que desejam permanecer competitivas precisam acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas e as mudanças de comportamento dos consumidores.
Outro aspecto estratégico é a formação de talentos. A nova economia demanda profissionais preparados para atuar em áreas como análise de dados, inteligência artificial, automação, marketing digital, experiência do cliente e logística avançada. Garantir mão de obra qualificada será um dos principais fatores para sustentar o crescimento do setor nos próximos anos.
Mais do que uma mudança nos hábitos de consumo, estamos diante de uma transformação estrutural na economia: o futuro da economia será cada vez mais conectado, tecnológico e orientado por dados!
Alexandre Malta é presidente da Associação de Vendas Não Presenciais Brasil (AvenpesBr)

