O autoconhecimento e a inteligência emocional tornam-se competências centrais da liderança, ajudando a sustentar escolhas mesmo sob pressão
Por Maria Eliene Dalvi
A instabilidade deixou de ser exceção e passou a ser regra no mundo corporativo. Mudanças econômicas, transformações tecnológicas, novos modelos de trabalho e pressões sociais criaram um cenário em que líderes raramente contam com todas as informações antes de decidir. Nesse contexto, a liderança baseada apenas em controle e previsibilidade perde espaço para uma atuação mais consciente, adaptável e estratégica.
Pesquisas da McKinsey & Company indicam que organizações capazes de tomar decisões mais rápidas e bem direcionadas em cenários incertos têm até 25% mais chances de superar seus concorrentes em performance financeira. Isso reforça que decidir, hoje, não é esperar certezas absolutas, mas agir com responsabilidade mesmo diante de ambiguidades.
Liderar na incerteza exige abandonar a busca pela decisão perfeita e assumir a decisão possível. Muitos líderes ainda acreditam que só devem agir quando todas as variáveis estão claras. O problema é que, enquanto se espera por segurança total, oportunidades se perdem, equipes se desengajam e o medo ocupa o espaço da ação. Em contextos complexos, decidir também é um ato de coragem.

Nesse cenário, a qualidade das decisões passa menos pela quantidade de informações e mais pela capacidade de leitura do contexto, escuta ativa e alinhamento com valores e propósito. O autoconhecimento e a inteligência emocional tornam-se competências centrais da liderança, ajudando a sustentar escolhas mesmo sob pressão.
Outro fator decisivo é a construção de ambientes psicologicamente seguros. O Projeto Aristotle, estudo conduzido pelo Google, revelou que o principal fator de alta performance em equipes não é o talento individual, mas a segurança psicológica. Times onde as pessoas se sentem à vontade para falar, questionar, errar e aprender tomam decisões melhores, inovam mais e respondem com maior agilidade às mudanças.
Decidir sem todas as respostas também significa envolver o time no processo. A liderança deixa de ser solitária e passa a ser compartilhada. Ao integrar diferentes perspectivas, o líder amplia o repertório de soluções, reduz riscos e aumenta o comprometimento das equipes com os caminhos escolhidos.
Liderar em tempos de incerteza é sustentar a direção mesmo quando o mapa não está completo. É comunicar com transparência, alinhar decisões a valores claros e aceitar ajustes ao longo do caminho. Em um mundo onde nem todas as respostas estão disponíveis, a liderança do futuro não será a que sabe tudo, mas a que sabe escolher, aprender e decidir com consciência.
Maria Eliene Dalvi é treinadora de bem-estar corporativo e diretora da ABRH-ES

