Em entrevista à ES Brasil, a psicóloga Sátina Pimenta explica os sinais de alerta e como a pressão por resultados pode afetar o equilíbrio emocional
Por Thamiris Guidoni
A pressão por resultados, somada à exposição constante nas redes sociais, tem impactado diretamente a saúde mental, especialmente em uma sociedade cada vez mais orientada pela produtividade. O debate ganhou força após o caso do jogador Philippe Coutinho, que se afastou dos gramados para cuidar do bem-estar emocional.
Em entrevista à ES Brasil, a psicóloga Sátina Pimenta, coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário Estácio de Vitória, destaca que a pressão por alta performance vai além do ambiente de trabalho e atinge também figuras públicas e pessoas comuns.
“Quando a gente fala de atletas ou pessoas públicas, além da pressão interna para performar bem, existe um espetáculo acontecendo fora, que cobra o tempo todo”, explica.
Segundo a especialista, a decisão de pausar diante desse cenário exige coragem, especialmente em contextos de grande exposição. “Quando a pessoa diz ‘eu preciso parar’, ela precisa entender que é mais importante do que tudo aquilo que está em volta”, afirma.
Sinais de alerta
A psicóloga ressalta que o limite entre o estresse cotidiano e um quadro que exige atenção está na forma como as atividades passam a impactar a rotina.
“Ter saúde mental é conseguir viver a vida realizando as atividades do dia a dia sem sofrer com isso. Quando tarefas simples começam a gerar angústia ou ansiedade intensa, é um sinal de alerta”, orienta.
Ela explica que, muitas vezes, esses sinais são ignorados ou adiados, o que pode levar a quadros mais graves, como crises de pânico e depressão. “A gente vai colocando tudo ‘debaixo do tapete’, mas uma hora isso aparece, e pode ser de forma intensa”, diz.
Outro ponto de atenção é o impacto das redes sociais na percepção de felicidade e sucesso. Para Sátina, o ambiente digital contribui para uma comparação constante e irreal.
“A gente já sabe que aquilo dali não é totalmente real, mas mesmo assim continua se comparando e desejando aquela vida perfeita”, pontua.
Nesse contexto, ela reforça a importância de ressignificar expectativas e valorizar a própria realidade, evitando padrões inalcançáveis.
Buscar ajuda é essencial
Por fim, a psicóloga defende que cuidar da saúde mental deve ser encarado com a mesma naturalidade que a saúde física. “Quando você machuca o joelho, você procura um médico. Com a saúde mental, precisa ser da mesma forma”, afirma.
Ela também destaca o papel da rede de apoio e da empatia no processo de cuidado. “Não é ‘mimimi’. Estar ao lado de quem está sofrendo pode fazer toda a diferença”, conclui.
A discussão sobre saúde mental, antes cercada de estigmas, tem ganhado mais espaço, e, para especialistas, esse é um passo fundamental para prevenir o adoecimento em uma sociedade cada vez mais exigente.

