Em abril, o Espírito Santo abriu 3.611 novas vagas com carteira assinada, com destaque para o avanço do interior e da agropecuária
Por Letícia Arcanjo
O Espírito Santo registrou 3.611 novos empregos com carteira assinada em abril de 2026, desse total, 3.467 foram criados fora da Grande Vitória, o equivalente a 96% das vagas abertas no período.
O economista da Corecon-ES Vaner Correa explica que esse resultado vai além de um dado estatístico e demonstra uma maior capacidade do interior capixaba de sustentar ciclos próprios de geração de renda e trabalho. Ele ressalta que, historicamente, são os grandes centros urbanos que concentram a maior parte dos investimentos, empregos formais e os serviços.
“Quando municípios do interior passam a liderar a criação de vagas, observa-se um processo positivo de desconcentração econômica, reduzindo desigualdades regionais e ampliando oportunidades para populações que tradicionalmente precisavam migrar para os centros urbanos”, pontua.
O munícipio de Vitória liderou entre os municípios, com saldo de 685 vagas, impulsionada pela construção civil. Ainda assim, a geração de empregos esteve fortemente concentrada no interior, Aracruz abriu 562 postos, puxados pela indústria, e municípios como Jaguaré, Linhares, Vila Valério, Itapemirim, Sooretama, São Mateus e Rio Bananal se destacaram, favorecidos pela atividade cafeeira.
“Cada novo emprego com carteira assinada representa mais proteção ao trabalhador, maior segurança jurídica para as empresas e aumento da arrecadação que financia políticas públicas. A formalização é especialmente importante na agropecuária, setor que historicamente apresenta índices mais elevados de informalidade”, ressalta o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza.
Correa enfatiza que, embora a agropecuária tenha liderado o movimento, os resultados de Vitória e Aracruz mostram a atuação de outros motores econômicos. Para o economista, isso sugere que a economia capixaba não depende exclusivamente do setor primário, apresentando uma estrutura relativamente diversificada entre agropecuária, indústria, construção e serviços. “Essa diversificação é importante porque torna o mercado de trabalho menos vulnerável a choques específicos de um único setor”, avalia.
Com o resultado, o Espírito Santo soma 16.515 empregos formais criados nos quatro primeiros meses de 2026. Em abril, a agropecuária respondeu por mais da metade das vagas abertas, já no acumulado do ano, a construção civil apresentou um avanço de 79,8% na geração de empregos, com 1.553 vagas adicionais. Os serviços cresceram 12,3%, e o comércio reverteu perdas do ano anterior, voltando ao campo positivo.

