Com bilhões em investimentos e expansão de portos, centros de distribuição e tecnologia, a logística cria novos perfis profissionais e muda a dinâmica do trabalho no ES
Maxieni Muniz
A logística deixou de atuar apenas nos bastidores da economia capixaba e passou a ocupar posição central na reorganização do mercado de trabalho. A expansão de portos, terminais, centros de distribuição e operações integradas vem deslocando vagas do balcão do varejo tradicional para funções ligadas à armazenagem, transporte, tecnologia e gestão logística.
Esse movimento, segundo Pablo Silva Lira, diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), não é pontual nem restrito a um ciclo curto de investimentos. Trata-se, segundo ele, de uma mudança estrutural associada à ampliação e à agregação de valor dos serviços logísticos no Espírito Santo.
“A gente está vivendo um momento de ampliação e aprofundamento dos investimentos em infraestrutura, com maior agregação de valor aos serviços prestados no setor logístico capixaba”, afirma.
De acordo com Lira, o Estado conta, hoje, com uma carteira de cerca de R$ 138 bilhões em investimentos públicos e privados até 2029, com forte presença de projetos ligados à logística. Entre eles estão o Porto da Imetame, o Porto Central, a modernização dos portos já existentes, aeroportos regionais — como os de Aracruz, Cachoeiro e o das Montanhas Capixabas — além de obras rodoviárias e ferroviárias. “Esse conjunto fortalece o Espírito Santo como uma plataforma logística de entrada e saída de produtos, conectando o Brasil ao mundo”, diz.

Na prática, o avanço da logística altera o perfil das vagas. Crescem oportunidades para operadores especializados, técnicos em logística, analistas de transporte, profissionais de tecnologia aplicada à cadeia de suprimentos e gestores operacionais.
Segundo Lira, a qualificação passa a ser determinante. “Hoje, o profissional precisa dominar os modais, gerenciamento de estoque, movimentação de cargas, gestão de pessoas e, sobretudo, sistemas de informação”, explica.
Ele cita ferramentas como TMS (Transport Management System), WMS (Warehouse Management System), sistemas integrados de gestão, tecnologias de identificação por RFID e o uso crescente de inteligência artificial. “É um trabalho sistêmico, que integra transporte, armazenagem e distribuição. Os sistemas garantem essa conexão do galpão até o balcão, inclusive em operações internacionais”, destaca.
Esse deslocamento do balcão para o galpão também traz impactos positivos sobre renda e formalização. Segundo Lira, o Espírito Santo registra recorde na geração de empregos com carteira assinada e alcançou a menor taxa de desemprego de toda a série histórica, 2,1 pontos percentuais abaixo da média nacional, que ficou em 5,6%, sendo a terceira menor taxa entre os estados. “Não é só migração de vagas, há criação de novos postos de trabalho, com formalização e ganhos salariais no médio prazo”, afirma.
Nesse cenário, a formação profissional ganha papel estratégico, com destaque para instituições da Serra, como UVV e UCL, que ofertam cursos voltados à logística, automação industrial e serviços qualificados. “A logística se consolida como motor de emprego, renda e competitividade no Espírito Santo”, conclui Lira.

