Abertura de 3.611 vagas em abril foi puxada pela agropecuária; cultivo de café respondeu por 1.390 empregos e reforçou a economia do interior
Por Letícia Arcanjo
A chegada da safra do café voltou a impulsionar a economia do Espírito Santo e a fortalecer o mercado de trabalho no interior do estado. Em abril, foram criados 3.611 empregos formais com carteira assinada no Estado, sendo a agropecuária a principal responsável pelo resultado, concentrando 2.104 das novas vagas abertas no período.
O cultivo de café teve papel decisivo nesse resultado, respondendo por 1.390 novos postos de trabalho, o equivalente a 66,1% das admissões registradas pelo setor. “A safra do café exerce um papel estratégico para o mercado de trabalho capixaba. O início da colheita amplia a demanda por mão de obra em diversos municípios do interior e gera reflexos positivos não apenas na agropecuária, mas também em atividades ligadas ao transporte, armazenagem, comércio e prestação de serviços”, afrima o coordenador do André Spalenza.
O desempenho reforça o cenário positivo da geração de empregos no Estado, que acumula saldo de 16.515 postos formais criados entre janeiro e abril de 2026. Esses dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram analisados pelo Connect Fecomércio-ES.
O presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), Luiz Carlos Bastianello destaca que a safra é tradicionalmente um período de intensa movimentação econômica.
Além da contratação de trabalhadores temporários e permanentes, muitos produtores comercializam parte da produção para honrar compromissos financeiros ligados à própria colheita, o que aumenta a circulação de recursos nos municípios produtores. Mesmo em um cenário de margens mais apertadas, ele pontua que a atividade segue gerando renda e movimentando a economia local.
Bastianello ressalta ainda que os efeitos da safra se espalham por toda a cadeia produtiva do café. Além dos produtores e cooperados, a atividade atrai trabalhadores de diferentes regiões em busca de oportunidades temporárias de renda.

“Estima-se que 68 municípios produzam café conilon. Por isso, o impacto na economia é realmente muito forte, não apenas por gerar renda para as famílias envolvidas na atividade, mas também por ser a base da economia nesses municípios produtores. E quando há mais renda circulando, isso representa desenvolvimento, progresso e mais oportunidades para essas comunidades”, destaca.
Além da agropecuária, os setores de serviços e construção civil também apresentaram resultados positivos em abril, com saldos de 748 e 745 empregos, respectivamente. A indústria abriu mais 317 vagas. O comércio foi o único segmento a registrar saldo negativo, com o fechamento de 303 postos de trabalho.

