Iniciativa transforma tratamento no SUS com genética e tecnologia avançada em câncer de mama
Por Kamila Conceição
Um projeto capixaba que combina inteligência artificial e genética para personalizar o tratamento do câncer de mama colocou o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes) no topo da ciência médica nacional. O hospital conquistou o primeiro lugar geral no edital de Gestão Hospitalar da Rede HU+/Capes, destacando-se como a melhor proposta entre 180 estudos submetidos em todo o Brasil.
O programa tem como objetivo fomentar projetos voltados ao fortalecimento da gestão hospitalar nos hospitais universitários federais, priorizando a formação de redes colaborativas e a produção de conhecimento aplicado.
O projeto “Saúde integrada feminina no câncer de mama: inovação translacional, digital e inclusiva para o SUS” , que será desenvolvido no Hucam-Ufes e em outros três hospitais do Espírito Santo, alcançou nota final de 97,02, resultado da média dos dois critérios utilizados para composição do ranking: análise de mérito, na qual obteve nota 99,00, e aplicação e aderência, com nota 95,03.
O estudo será coordenado pelo professor Iúri Louro, do Departamento de Ciências Biológicas da Ufes e a pesquisa será realizada com os hospitais Santa Rita, Evangélico de Vila Velha e Meridional de São Mateus, unindo a academia à ponta do atendimento médico.
O foco na Medicina de Precisão: IA e Oncogenética
O grande diferencial do projeto está na convergência entre a biologia molecular e a tecnologia de dados para desvendar um dos maiores desafios da oncologia de o porque alguns tumores são tão resistentes ao tratamento convencional. A pesquisa vai investigar as Células Gigantes Tumorais Policloides (PGCCs, na sigla em inglês), conhecidas por sua agressividade e capacidade de resistir à quimioterapia, cruzando esses dados com falhas no reparo do DNA das pacientes.
Para isso, o Hucam-Ufes irá aplicar um robusto ecossistema tecnológico dividido em três pilares: Patologia Digital e IA, Sequenciamento de Nova Geração (NGS) e Interoperabilidade de Dados. O objetivo principal do projeto é investigar, em mulheres com câncer de mama, a relação entre células tumorais resistentes e genes de reparo do DNA.
“Em resumo, o estudo busca entender por que alguns tumores são mais agressivos e resistentes, combinando biologia, genética, tecnologia e inteligência artificial”, destaca Christiane Mota, chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica em Saúde do Hucam.
Além do avanço científico, o projeto se destaca pelo impacto imediato direcionado às mulheres atendidas pelo SUS. No Hucam elas terão acesso gratuito a testes genéticos de ponta e aconselhamento genético para suas famílias, um serviço de alto custo que frequentemente é barreira no tratamento oncológico.
A gerente de Ensino e Pesquisa do Hucam, Gláucia Abreu, reforça que a iniciativa une a pesquisa de fronteira com a equidade social. “O estudo proporciona a muitas mulheres o que há de mais avançado em termos de estudos genéticos e medicina de precisão. Promove a redução de desigualdades, maior acesso à informação e, na área de saúde, aumenta a sobrevida e reduz custos com tratamentos tardios”, afirma Gláucia.


