Estado alcançou 63,61 pontos no IPS Brasil 2026 e ficou à frente de Rio de Janeiro e Bahia; João Neiva lidera ranking entre municípios capixabas
Por Letícia Arcanjo
O Espírito Santo está entre os dez estados com maior Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, indicador que mede o desempenho social e ambiental dos territórios brasileiros a partir de critérios relacionados à qualidade de vida da população. Segundo a análise, o Estado alcançou índice geral de 63,61 pontos em 2026, ocupando a 8ª colocação entre as unidades da federação.
Esses dados fazem parte do estudo IJSN Especial sobre o IPS, divulgado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e também podem ser encontrados na plataforma ES em Números da Revista ES Brasil.
O economista Eduardo Araújo explica que o fato de o Espírito Santo estar à frente de estados como Rio de Janeiro e Bahia pode ser atribuído a uma combinação de fatores. Segundo ele, entre os motivos se destacam o fato de o Estado possuir uma escala territorial menor, municípios relativamente mais integrados, uma rede urbana mais conectada e uma tradição recente de organização fiscal e planejamento público.
“O Espírito Santo também possui bons resultados em dimensões mais básicas, como moradia, acesso ao conhecimento básico e fundamentos de bem-estar. Esses fatores ajudam a sustentar uma posição relativamente boa no ranking nacional”, acrescenta.
O levantamento apontou João Neiva como o município com o maior Índice de Progresso Social do Espírito Santo, alcançando 67,54 pontos. Na sequência aparecem Serra (66,26), Vila Velha (66,15), Vitória (66,02) e Ibiraçu (65,61). Além disso, os dados revelam diferenças entre as três dimensões avaliadas pelo índice.
Enquanto os municípios capixabas registraram desempenho mais elevado em Necessidades Humanas Básicas e resultados intermediários em Fundamentos do Bem-Estar, a dimensão Oportunidades apresentou a menor média estadual, com 44,16 pontos. De acordo com o estudo, os componentes com melhores resultados foram Moradia, com 88,40 pontos e Acesso ao Conhecimento Básico com 79,61.
Já os maiores desafios concentram-se em Direitos Individuais com 29,42 pontos e Acesso à Educação Superior com pontuação de 36,35. Para Araújo, o desempenho do Espírito Santo demonstra avanços importantes nas condições de vida da população, mas também evidencia gargalos estruturais, segundo ele, os indicadores mais baixos, como Direitos Individuais e Acesso à Educação Superior, representam desafios de longo prazo.
“Um território pode avançar em moradia, infraestrutura básica e serviços públicos, mas continuar limitado se não amplia oportunidades, inclusão, acesso à justiça, formação superior e inserção qualificada no mercado de trabalho. No longo prazo, educação superior e direitos individuais têm relação direta com produtividade, inovação, mobilidade social e qualidade da democracia”, afirma.

