Indústria capixaba mantém ritmo positivo em 2025 com alta em agosto em todas as bases de comparação, destaque para pelotas de minério e petróleo
Por Amanda Amaral
A indústria do Espírito Santo registrou o maior crescimento entre os estados brasileiros no acumulado entre janeiro e agosto (6,1%) e também na comparação com agosto de 2024 (15,3%), em ambos os casos, o crescimento foi acima de média nacional, respectivamente +0,9% e -0,7%. O desempenho positivo é fruto do crescimento da indústria extrativa, com produção de pelotas de minério de ferro e petróleo e gás.
O setor industrial do estado também apresentou alta nas outras duas bases de comparação, 2,4% no acumulado de 12 meses e 0,4% na comparação com julho, assim com a indústria extrativa 3,4% e 0,5% nestas bases de comparação respectivamente.
Os dados são Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conforme Boletim da Indústria Capixaba da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), referente a agosto deste ano.
Chamam atenção as maiores altas da indústria extrativa entre quatro bases de comparação: no acumulado do ano (+9,5%) e referente a agosto de 2024 (+25,5%), em ambos os casos impulsionadas pela produção de pelotas de minério de ferrro e petróleo e gás.
A indústria de transformação apresentou queda no acumulado entre janeiro e agosto (-0,3) e na comparação com agosto de 2024 (-3,6). Em ambos os casos, a retração foi puxada pelo desempenho da Fabricação de produtos de minerais não-metálicos, os penhores desempenhos foram -4,5% nos oito meses do ano e -6,6% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Nesta última base de comparação, o setor de metalurgia também apresentou queda acentuada, -6,6%.
Na análise do Boletim da Indústria Capixaba, até o oitavo mês do ano, o setor se destacou nacionalmente. São pontuados no estudo, o processo de retomada da Samarco e o avanço nas produções do navioplataforma Maria Quitéria da Petrobras.
O Boletim também ressalta o cenário internacional com o tarifaço de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, o que gerou tensões comerciais que seguem em crescimento, sem garantias de acordos duradouros, incertezas que abalam o mercado de commodities, que já vinha respondendo aos efeitos do prolongamento dos conflitos geopolíticos.
No acumulado do ano até agosto, a cotação do minério de ferro contraiu 11,4%. Os preços da celulose caíram 19,9% no mercado chinês e 14,1% no mercado europeu. O preço do barril de petróleo Brent reduziu 15,3% e o preço do barril de petróleo WTI contraiu 15,5%. Como reflexo, segundo a análise da Findes, as exportações da indústria capixaba, dependentes das oscilações nos preços desses produtos, recuaram 8,7% em termos de valor, embora tenha crescido 6,6% em termos de volume.
O ambiente doméstico no final de 2025 também foi pontuado, com a melhora nas expectativas de inflação, reforçando uma perspectiva de redução dos juros ao longo de 2026, o que pode contribuir para a manutenção do dinamismo do setor industrial. A meta é de 3,0% com intervalos de tolerância de mais ou menos 1,5 p.p.) e, segundo o relatório Focus, o mercado projeta que o IPCA, atualmente em 5,17%, encerre 2025 em 4,56% e 2026 em 4,20%.

