Setor extrativo e safra recorde de café garantem elevação da economia capixaba, apesar da queda nos preços das commodities e juros a 15%
Por Amanda Amaral
Pelo terceiro ano consecutivo, a economia do Espírito Santo encerrou o ano com crescimento de 3,2% na comparação com 2024, acima da média nacional (2,3%). Já a expectativa para 2026 é de alta de 2,1%, porém mais contida devido a guerras internacionais e alta taxas de juros no Brasil.
Os dados são do Indicador de Atividade Econômica (IAE) produzido pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes). O IAE-Findes do 4º trimestre de 2025 foi apresentado à imprensa, nesta quarta-feira (18). No acumulado do ano, a maior alta foi da agricultura (+13,9%), seguida pela indústria (+6,1%) e serviços (+1,8%).
No período, o valor exportado pelo Estado caiu (-2,1%), mas as exportações cresceram em volume (+11%), com destaque para minério de ferro (+16,5%) e petróleo (+14,7%). A indústria capixaba teve bons resultados em 2025 e foi a que mais contribuiu para o avanço da economia do Estado, segundo a pesquisa.
Isso se deve, principalmente, a indústria extrativa (+ 18,6%). Registraram alta, a pelotização de minério de ferro (+7,6%) e produção de petróleo e gás natural (+26,8%) devido a retomada da Samarco e o desempenho da FPSO Maria Quitéria, conforme destacou a economista-chefe da Findes, Marília Silva. Outro setor da indústria também se destacou no estudo, Energia e saneamento (+1%).
Cenário econômico
O desempenho do Espírito Santo foi impactado pelo cenário internacional de 2025 com conflitos geopolíticos e as tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros – influenciando diretamente a pauta exportadora do Estado, segundo explicou Marília Silva.
Dados do IAE-Findes mostram que, entre os mais afetados, está o setor de rochas ornamentais. O segmento Produtos de minerais não metálicos teve queda de -2,9%, pior performance no grupo da Indústria de transformação (-0,8%). Também houve no período redução da produção de granito talhado no Estado.
Houve também, no ano passado, queda no preço de commodities como celulose, petróleo, minério de ferro e café, segundo destacou Marília Silva. Outro desafio para a indústria, foi a manutenção da taxa de juros a 15% ao ano, o que desacelera investimentos.
Construção Civil

O presidente da Findes, Paulo Baraona, apontou que a Construção Civil é o setor mais impactado pela Taxa Selic, devido a necessidade de financiamentos de médio e longo prazo. “Isso não tem acontecido só no Espírito Santo, mas aqui, obviamente, nós vínhamos um pouco mais alavancados e isso, de fato, cria uma dificuldade grande, e cria incertezas, se a taxa de juros vai permanecer coo está o diminuir”, disse, se referindo a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta quarta-feira (18).
Agricultura e serviços
Em contrapartida, Marília Silva ressalta a valorização do Brasil por investidores estrangeiros, e a valorização da moeda brasileira, que somada a outros fatores, contribuiu para conter a inflação em 2025. Nela destaca que, no mesmo período no Estado, a economia foi impulsionada pela safra recorde de café, aumento do consumo das famílias e estratégias operacionais das empresas.
No setor de serviços, o segmento de transportes (+2,6%) teve a maior alta, impulsionado pelos serviços de logística, segundo análise da Findes. Com relação à agricultura, apesar de apresentar o maior crescimento percentual, o setor contribuiu com apenas 0,6% para o avanço da economia do Estado. Destaque para o café, principal cultura do Estado.

