O crescimento da indústria no estado alcançou 7,5% no ano, impulsionado por petróleo, gás natural e minério de ferro pelotizado
Por Amanda Amaral
O crescimento da indústria no Espírito Santo foi o maior do País no acumulado do ano até setembro, se comparado ao mesmo período de 2024, alta de 7,5%. O desempenho foi puxado pela produção de petróleo e gás natural e minério de ferro pelotizado. Também é o quinto mês seguido de crescimento com dois dígitos.
O crescimento da indústria é avaliado pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e compilada pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
Houve crescimento da indústria geral também na comparação entre setembro de 2025 e de 2024 com alta de 19,2%, melhor desempenho dentre todos os entes federados. Na comparação com o mês anterior, a elevação foi de 4,6%. Já a indústria extrativa apresentou alta em todas as bases de comparação, sendo a maior delas de 29% na comparação entre setembro de 2025 e setembro de 2024, no acumulado do ano fez +11,9%.
FPSO Maria Quitéria
Sobre o crescimento da indústria, a economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva, explica que o resultado reflete tanto a retomada de grandes operações, como a Samarco, quanto o crescimento das produções do navio-plataforma Maria Quitéria da Petrobras.
“O cenário de setembro foi marcado por uma forte atividade no setor de petróleo e gás, com aumentos acima do esperado. A reinstalação do módulo de bombeio no campo de Baleia Anã, por exemplo, contribuiu diretamente para o salto na produção offshore. Além disso, o minério de ferro pelotizado também teve desempenho expressivo, reforçando o peso da indústria extrativa na composição do resultado estadual”, destaca Marília.
Alimentos
Já o crescimento da indústria de transformação não foi expressivo, e ainda apresentou queda em duas bases de comparação: entre setembro deste ano e do ano anterior, – 1,7%, e no acumulado de 2025, – 0,7%. No geral, o resultado foi afetado pela fabricação de produtos alimentícios, com nenhum desempenho positivo, e pela fabricação de produtos de minerais não-metálicos, que apresentou alta apenas na comparação entre com o mês imediatamente anterior (4,9%).
Juros x investimentos
A taxa Selic permanece em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, o que pressiona o custo do crédito e afeta a capacidade de investimento das empresas. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, início de novembro, foi sinalizado que a taxa deve encerrar o ano no mesmo patamar. Porém, ainda há uma reunião em 2025, nos dias 9 e 10 de dezembro. A projeção do Boletim Focus é entrar 2026 em 12,25%.
“Para sustentar o ritmo de crescimento, é fundamental que os empresários tenham acesso a crédito mais barato e condições favoráveis para investir. A manutenção da Selic em 15% ao ano sufoca a economia e reduz a competitividade do setor produtivo. É preciso destravar o crédito e permitir que o investimento volte a girar. O Brasil não pode permanecer isolado num contexto global em que outras economias já estão reduzindo seus juros reais”, alerta o presidente da Findes, Paulo Baraona.

No levantamento da CNI, 80% das empresas industriais apontam a taxa de juros elevada como o principal obstáculo para o crédito de curto prazo. No caso do financiamento de longo prazo, 71% citam a Selic como barreira central. “Se houvesse uma redução mais expressiva da taxa básica, 77% das empresas industriais brasileiras aumentariam seus investimentos nos próximos dois anos. Esse dado da CNI mostra o tamanho da oportunidade perdida. Precisamos de um ambiente mais favorável à produção e à inovação”, reforça Baraona.
Confira o ranking nacional de maior crescimento industrial no acumulado do ano:
Espírito Santo – 7,5%
Pará – 4,9%
Rio de Janeiro – 4,1%
Paraná – 3,4%
Santa Catarina – 3,1%
Fonte: Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) – 3º trimestre de 2025.

