A adoção do gás natural, que reduz fumaça e fuligem, propõe melhoria do ambiente, além de processo mais limpo e eficiente para o produtor rural
Por Amanda Amaral
Uma parceria vai viabilizar oferta de gás natural voltado à secagem do café no Espírito Santo. A iniciativa é uma resposta a demanda por cadeias produtivas mais sustentáveis e com competitividade, além de modernizar da produção do grão, principalmente, para os que ainda utilizam lenha como fonte energética.
O Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) e a ES Gás – adquirida pela Energisa, anunciaram a parceria no dia 29 de novembro, na Feira Internacional de Café Conilon (FICC), em Jaguaré. Segundo as entidades, a iniciativa é sustentada por quatro pilares estratégicos: infraestrutura logística, sustentabilidade ambiental, qualidade e padrão da bebida, e escala/competitividade.
Equipes técnicas das duas instituições farão estudos para avaliar o modelo logístico para distribuição do gás natural, locais prioritários, análise de demanda e estruturação de projetos-pilotos. A ideia é expandir progressivamente para as regiões produtoras do Estado.
Qualidade
“Quando falamos em sustentabilidade, o gás natural não é apenas uma solução energética, ele é um agente de transformação para o agronegócio capixaba e para o futuro do nosso estado. O gás natural viabilizará que o processo de secagem do café seja mais limpo, seguro e eficiente, garantindo controle preciso da temperatura e preservando a qualidade do café”, afirma Fabio Bertollo, diretor-presidente da ES Gás.
A ES Gás e a CCCV destacam que o uso do gás natural elimina consideravelmente a fumaça e a fuligem geradas pela lenha e pela palha, tornando o ambiente de trabalho mais seguro. Também possibilita controle mais preciso da temperatura, oferecendo ao produtor uma secagem uniforme, com qualidade superior e menor exposição do grão cru à queima direta, fatores que ampliam o valor agregado do café capixaba.
“Essa parceria representa um marco para a cafeicultura capixaba. Estamos falando de uma solução que alia tecnologia, sustentabilidade e competitividade, atendendo às exigências dos mercados mais sofisticados. Com o gás natural, nossos produtores poderão ter acesso a um processo de secagem mais eficiente e padronizado, capaz de elevar ainda mais a qualidade do café conilon do Espírito Santo e fortalecer sua posição no cenário nacional e internacional”, destaca Fabrício Tristão, presidente do CCCV.
Fiscalização

Vale lembrar que o funcionamento de secador de café sem a devida regularização no Instituto de Defesa Agropecuário e Florestal (Idaf) é passível de autuação, interdição da atividade e apreensão da lenha. A multa pode variar de R$ 801,00 a R$ 38 mil aproximadamente. O licenciamento ambiental que autoriza o funcionamento dos secadores de café é de responsabilidade das prefeituras dos municípios, determinando as condicionantes ambientais para que o processo não cause prejuízos aos trabalhadores, ao meio ambiente e à população em geral, especialmente no que se refere ao controle da emissão de fumaça.
No caso de consumo de lenha no secador, após o licenciamento é obrigatório obter no Idaf o certificado de registro de atividade florestal (CRAF), que deve ser renovado anualmente.

