Produção de arábica deve crescer mais de 1 milhão de sacas no estado, enquanto o conilon apresenta perspectivas de queda
Por Letícia Arcanjo
A safra de café no Espírito Santo deve apresentar cenários distintos em 2026, com alta na produção de arábica e queda no conilon, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo (SCCES), Marcus Magalhães, explica que a safra no estado era inicialmente estimada em bom volume, mas o cenário vem se alterando ao longo da colheita. Segundo ele, já é possível perceber quebra na produção de conilon no norte capixaba, com perdas que variam entre 20% e 40%, principalmente em lavouras mais antigas.
Magalhães pontua que o cenário tem gerado preocupação entre os produtores, já que a expectativa era de preços mais baixos, mas com alta produtividade, o que compensaria o resultado. “O que estamos presenciando é preço mais baixo com quebra de safra. Isso impacta diretamente o fluxo financeiro das propriedades no interior, na região do conilon, no Norte do Espírito Santo”, afirma.
O secretário de Agricultura, Enio Bergoli, explica que enquanto o conilon enfrenta desafios em parte das lavouras, o café arábica vive um ciclo de alta no estado. Ele destaca ainda que a soma das duas produções pode, em alguns casos, mascarar realidades distintas entre os cafés.
No caso do arábica, a estimativa é de crescimento significativo na produção capixaba. Segundo dados do segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Estado deve sair de cerca de 3,3 milhões para aproximadamente 4,4 milhões de sacas, um aumento superior a 1 milhão de sacas em relação ao ciclo anterior.

Já em relação ao conilon, o secretário pontua que a estimativa da Conab aponta para uma redução em relação ao ano passado, passando de 14,159 milhões de sacas para cerca de 13,562 milhões. Ainda assim, o secretário ressalta que os números são preliminares e podem ser revisados nas próximas atualizações do levantamento.
Enio Bergoli destaca ainda que existe consenso no setor sobre a queda no conilon, especialmente em lavouras mais antigas, que tendem a produzir menos neste ciclo. No entanto, ele pondera que a dimensão da redução ainda não está totalmente definida. “Realmente vamos ter nas lavouras mais velhas uma queda na produção, mas é difícil estimar a safra de conilon, pois muitas lavouras novas, de até três anos, estão entrando em produção”, afirma.
Segundo ele, o avanço dessas novas lavouras pode equilibrar parte das perdas, tornando o cenário final da safra ainda incerto. A expectativa é de que as próximas semanas tragam dados mais consolidados sobre a dimensão da produção de conilon no estado. “Ainda é cedo para falar a dimensão da queda, ainda é preciso mais confirmações. E volto a insistir que existem muitas lavouras novas entrando no processo de produção”, ressalta.
Apesar da retração em parte da produção do conilon, o secretário explica que, no conjunto da safra, o Espírito Santo ainda deve registrar resultado positivo, puxado pelo crescimento do arábica.

