Especialista destaca trajetória histórica, força produtiva e protagonismo capixaba na cafeicultura nacional, com destaque para produção de conilon
Por Letícia Arcanjo
No Dia Mundial do Café, celebrado nesta terça-feira (14), o Espírito Santo reforça sua posição de destaque como segundo maior produtor do país e líder na produção de conilon.
Em entrevista à ES Brasil, o presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo (SCCES) e diretor da Fecomércio, Marcus Magalhães, explica que a liderança capixaba é resultado de um processo histórico iniciado na década de 1970, quando o Estado passou a investir na produção do conilon.
“O Espírito Santo foi o primeiro estado a produzir conilon em escala no Brasil. Houve um trabalho muito forte de pesquisa e extensão, além da confiança do produtor na rentabilidade da cultura”, afirma.
Magalhães pontua também que no ano passado, os preços do café atingiram níveis elevados, impulsionados pelo dólar valorizado e por problemas climáticos em países concorrentes, como Vietnã e Indonésia, além de uma quebra de safra no Brasil. Esse cenário levou o conilon a alcançar picos históricos no início de 2025.
Atualmente, porém, o contexto é diferente. Com a previsão de uma safra maior em 2026 e a queda do dólar, que recuou de cerca de R$ 6,30 em 2024 para aproximadamente R$ 5, os preços perderam força. Segundo o presidente, hoje, a saca do conilon varia entre R$ 800 e R$ 850, abaixo dos cerca de R$ 1.800 registrados no mesmo período do ano passado.
Produção de café
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a safra brasileira de café em 2026 deve alcançar 66,2 milhões de sacas, sendo aproximadamente 44 milhões de arábica e 22 milhões de conilon, volume superior ao ciclo anterior, de 58 milhões de sacas.
No Espírito Santo, a produção está estimada em 19 milhões de sacas, alta de 9% em relação a 2025. A maior parte corresponde ao conilon. Para essa variedade, a Conab projeta crescimento de 5%, mantendo o estado como principal produtor nacional.
Com o avanço da colheita, Magalhães explica que a tendência é de pressão sobre os preços, movimento considerado típico do setor. Além dos fatores internos, o cenário internacional também impacta o setor.
Exportações e cenário internacional
Em fevereiro deste ano, as exportações de café do Espírito Santo somaram 277 mil sacas, alta de 37% em relação a janeiro. O resultado foi impulsionado principalmente pelo conilon, que atingiu 212 mil sacas, um crescimento de 43%. Já o arábica registrou 45 mil sacas exportadas, avanço de 22%, enquanto o café solúvel respondeu por 21 mil sacas, aumento de 17%.
Apesar desse desempenho positivo no volume exportado, o setor cafeeiro enfrenta um cenário externo desafiador, marcado por conflitos globais que têm elevado os custos de produção, sobretudo com o encarecimento de insumos como fertilizantes, cuja base de fornecimento inclui países como Rússia, China e Irã.
Há ainda entraves logísticos, sobretudo no Oriente Médio, que dificultam o escoamento da produção brasileira.“É um cenário desafiador, tanto pela elevação dos custos quanto pelos problemas logísticos para exportação”, afirma.
No segmento de café solúvel, Marcus Magalhães ressalta que as exportações também enfrentaram dificuldades recentes. Tarifas impostas pelos Estados Unidos encareceram o produto brasileiro, reduzindo a competitividade em um dos principais mercados consumidores.
“A tarifa imposta pelo presidente Trump impactou nas exportações de café solúvel, especialmente, pelo Estados Unidos ser um grande comprador”, diz.
Apesar dos desafios, o presidente explica que a expectativa para a produção neste ano é positiva, com uma safra considerada robusta. A tendência é de recuperação nos embarques após o desempenho mais fraco no ano anterior.
Por outro lado, os preços devem seguir pressionados no curto prazo, influenciados pela combinação de dólar mais baixo, aumento da oferta e incertezas no cenário global.

