Parlamentares capixabas retiram assinaturas de emendas à PEC, mas defendem transição negociada para reduzir reflexos sobre empregos, custos e competitividade do setor produtivo
Por Denise Miranda
Deputados federais do Espírito Santo passaram a defender uma tramitação mais gradual da PEC que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho. Amaro Neto, Da Vitória, Messias Donato e Evair de Melo retiraram assinaturas de emendas ligadas à proposta, que previam transição de até dez anos e flexibilização da carga horária para alguns segmentos econômicos.
O movimento ocorreu em meio ao avanço das discussões da PEC na Câmara dos Deputados e ao debate sobre os possíveis efeitos da mudança sobre setores intensivos em mão de obra, como comércio, serviços, indústria, turismo e agronegócio. Parlamentares e representantes do setor produtivo defendem que eventuais alterações na jornada de trabalho sejam discutidas de forma negociada e com previsibilidade para empresas e trabalhadores.
Em nota conjunta, Amaro Neto e Da Vitória afirmaram que continuam favoráveis ao fim da escala 6×1, mas decidiram retirar as assinaturas “para evitar interpretações equivocadas” sobre o posicionamento dos parlamentares. Segundo Da Vitória, a comissão especial responsável pela PEC está ouvindo diferentes segmentos antes da elaboração do texto final.
“A Comissão Especial está ouvindo diferentes segmentos para chegar ao melhor texto possível para votação no Plenário. Inclusive, o programa Câmara Pelo Brasil, coordenado por mim, está indo aos estados para ampliar o diálogo com representantes da economia e do mercado de trabalho”, declarou Da Vitória.
Amaro Neto afirmou que continuará votando favoravelmente à PEC, mas defendeu equilíbrio na condução do debate. Segundo o deputado, a proposta reflete uma demanda crescente por melhor qualidade de vida no mercado de trabalho, mas as mudanças precisam preservar empregos, renda e estabilidade econômica.
Já Evair de Melo e Messias Donato mantiveram apoio às emendas de transição. Donato afirmou que a redução da jornada de 44 para 40 horas exige planejamento para evitar efeitos econômicos negativos sobre empresas e empregos. “São setores com alta informalidade e margens apertadas. Uma mudança brusca não reduz custo, ela fecha portas”, declarou ao citar comércio, agronegócio e turismo entre os segmentos mais sensíveis às mudanças.
Setores ligados ao varejo, logística, supermercados e indústria defendem planejamento gradual para evitar aumento de custos operacionais, dificuldades de contratação e perda de competitividade. A discussão sobre o fim da escala 6×1 tornou-se uma das pautas trabalhistas mais sensíveis em Brasília e deve ganhar novos desdobramentos nas próximas semanas, quando a Câmara analisará o parecer da comissão especial responsável pela proposta.

