Chocolate pode estimular neurotransmissores ligados à sensação de prazer, mas efeito é temporário e não substitui hábitos saudáveis
Por Thamiris Guidoni
Muito além de ser um dos alimentos mais apreciados no mundo, o chocolate também pode fazer parte de uma alimentação equilibrada quando consumido com moderação. Produzido a partir do cacau, ele concentra compostos bioativos que podem trazer benefícios à saúde, principalmente nas versões com maior teor de cacau.
Segundo a endocrinologista Gisele Lorenzoni, nem todo chocolate possui o mesmo valor nutricional. A principal diferença está na concentração de cacau e na quantidade de açúcar e gordura presente na composição.
“O cacau é rico em flavonóides, compostos que ajudam a combater o estresse oxidativo e podem contribuir para a saúde cardiovascular, melhorando a função dos vasos sanguíneos e auxiliando no controle da pressão arterial. Porém, esses benefícios estão relacionados principalmente aos chocolates com maior teor de cacau, geralmente acima de 70%”, explica.
Chocolate influencia o humor?
O alimento pode proporcionar sensação de prazer, mas não deve ser encarado como solução para problemas emocionais.
“O chocolate contém pequenas quantidades de substâncias relacionadas à produção de neurotransmissores, além de estimular a liberação de dopamina e endorfinas, que participam dos mecanismos de recompensa e bem-estar. Isso ajuda a explicar por que muitas pessoas sentem prazer ao consumi-lo, mas esse efeito é temporário e não substitui hábitos saudáveis para o equilíbrio emocional”, afirma.
A especialista acrescenta que é comum aumentar a vontade de consumir chocolate durante a fase pré-menstrual.
“Durante a fase pré-menstrual ocorrem alterações hormonais que podem aumentar o desejo por alimentos mais palatáveis, especialmente doces. Isso não significa que o chocolate seja uma necessidade fisiológica, mas sim uma resposta que envolve fatores hormonais, emocionais e comportamentais.”
Chocolate pode fazer parte da alimentação?
Segundo Gisele Lorenzoni, sim. O consumo pode integrar uma alimentação equilibrada, desde que haja moderação.
“O problema geralmente não é o chocolate em si, mas o excesso e a escolha de produtos com muito açúcar, gordura e pouco cacau”, ressalta.
Ela explica que chocolates ao leite e brancos concentram mais açúcar e gordura e menos compostos benéficos do cacau. Pessoas com diabetes devem considerar a quantidade de carboidratos para manter o controle da glicemia, enquanto quem tem refluxo pode perceber piora dos sintomas. Já indivíduos com alergia ao leite, ao cacau ou a outros ingredientes devem evitar esses produtos. Para quem busca emagrecer, a orientação é incluir o chocolate dentro do planejamento alimentar.
Não existe uma quantidade ideal para todas as pessoas, mas pequenas porções costumam ser suficientes.
“Em geral, uma pequena porção de chocolate amargo, consumida ocasionalmente dentro de uma alimentação equilibrada, já é suficiente para desfrutar do alimento. O mais importante é que o chocolate seja um prazer, e não um motivo de culpa ou de exageros”, conclui.

