O rádio é mais do que um meio de comunicação; é um patrimônio cultural que continua a evoluir e a nos conectar
Por Manoel Goes Neto
Edgar Roquette-Pinto é amplamente reconhecido como o “pai do rádio brasileiro” por ter fundado a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, a primeira emissora de rádio do país, em 1923, com o objetivo de difundir cultura e educação.
Ele também foi o responsável pela primeira transmissão oficial de rádio no Brasil, a 103 anos passados, em 7 de setembro de 1922, e vislumbrou o potencial da radiodifusão como ferramenta educacional. Na ocasião, foi transmitido o discurso do então presidente da república, Epitácio Pessoa. Os aparelhos receptores estavam instalados em Niterói, Petrópolis e São Paulo.
Foi um visionário que defendia a educação e a cultura através do rádio, um veículo que ele via como a “escola dos que não têm escola”, o “jornal de quem não sabe ler” e o “mestre de quem não pode ir à escola”.
Ele acreditava no poder do rádio para democratizar o acesso à informação e fortalecer a cultura nacional. O rádio se transformou no veículo mais importante para integrar as regiões e massificar a informação no Brasil.
A primeira transmissão de rádio foi realizada, de forma experimental, em 1919, a Rádio Club Pernambuco realizou uma transmissão inédita, de forma experimental, ainda que sem grande repercussão
Desde então, o rádio desperta o interesse dos brasileiros. Ele começou a chegar aos lares brasileiros a partir da década de 1930 e se tornou paixão nacional. A comunicação feita pelas emissoras é acolhida nos lares, nos carros e até nos locais de trabalho. Com os smartphones, o rádio tornou-se ainda mais portátil, levando nossa programação predileta no bolso para ouvir em qualquer hora ou lugar.
Segundo pesquisas o rádio é ouvido por 80 % da população nas 13 regiões metropolitanas do país. Dos ouvintes, três a cada cinco escutam rádio todos os dias. Quando a televisão chegou ao Brasil, em 1950, houve quem profetizasse que o rádio perderia força e ficaria apenas como lembrança do passado. Muitas atrações das emissoras foram transportadas para a TV e mesmo assim o rádio seguiu adiante, adaptou-se e, ainda hoje, está presente na vida das pessoas.
Muito louvável a iniciativa da homenagem ao rádio, pelo IHGVV Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha, sob a presidência atuante do historiador Luiz Paulo Rangel, que produziram uma belíssima e histórica exposição, “Pelas Ondas do Rádio”, contando a história da criação do rádio, e seus personagens. Em exposição rádios antigos, um telégrafo, e uma sala de radioamador, como também uma exposição de caricaturas, do artista capixaba Genildo, homenageando alguns dos mais importantes radialistas capixabas.
A exposição estará em cartaz na galeria da Casa da Memória de Vila Velha, na Prainha, de 09 de setembro à 02 de novembro com entrada gratuita, de terça a domingo das 8h30 às 17h30.
“O rádio é mais do que um meio de comunicação; é um patrimônio cultural que continua a evoluir e a nos conectar. Convidamos vocês a explorarem a exposição, a redescobrirem a magia do rádio e a refletirem sobre seu impacto em nossas vidas. Hoje o rádio moderno, com suas rádios de notícias como a pioneira Rádio CBN Vitória, dentre outras, desempenham papel fundamental principalmente com os seus podcasts. Entender as razões pelas quais o rádio ainda desperta tanto fascínio em algumas pessoas, a ponto de ser considerado uma “paixão nacional”, é algo difícil de explicar” afirma o presidente do IHGVV, Luiz Paulo Rangel.
Manoel Goes Neto é escritor, produtor cultural e diretor no IHGES

