Especialista destaca importância de cuidados que pode comprometer seriamente a visão
Por Kebim Tamanini
Durante todo o mês de junho, o Brasil se veste de roxo para o “Junho Violeta”, uma campanha de conscientização sobre o ceratocone, uma doença oftalmológica que afeta aproximadamente 150 mil pessoas anualmente no país. Promovida pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), a iniciativa tem como objetivo educar a população sobre os riscos, diagnóstico, e tratamentos disponíveis para essa condição que pode comprometer seriamente a visão.
O ceratocone é uma doença progressiva que enfraquece e deforma a córnea, a lente natural localizada na frente do olho. Normalmente, manifesta-se entre os 10 e 25 anos de idade e pode progredir ao longo de décadas. Segundo o oftalmologista e especialista em córnea, Dr. Rodolpho Sueiro Felippe, do Centro Capixaba de Olhos em Vitória (CCOlhos), um dos principais fatores de risco é um hábito aparentemente inofensivo: esfregar os olhos.
“Quando o paciente esfrega os olhos, ocorrem traumas repetidos na estrutura da córnea, o que a deixa fragilizada e mais fina,” explica Dr. Felippe. Ele alerta que esse ato, comum para aliviar coceira ou desconforto, pode acelerar a progressão do ceratocone, levando a uma deformação maior da córnea e à consequente piora da qualidade de visão.

Os principais sintomas do ceratocone incluem visão embaçada, distorção de imagens e piora na visão noturna. Estes sinais são resultado do afinamento e encurvamento anormal da córnea, que altera a forma como a luz é focada na retina. A detecção precoce é crucial para controlar a progressão da doença e preservar a visão.
“O ceratocone não tem cura, mas com os avanços tecnológicos, os pacientes podem ter uma qualidade de vida normal,” afirma Dr. Felippe. “É essencial que as pessoas estejam atentas aos sintomas e busquem orientação médica ao menor sinal de alteração na visão”, continua.
O tratamento do ceratocone visa melhorar a visão e retardar a progressão da doença. As opções variam de óculos e lentes de contato especiais a procedimentos mais avançados, como o implante de anéis intra-corneanos e o crosslinking de córnea. O crosslinking é um procedimento que fortalece a córnea, aumentando sua rigidez e estabilizando a progressão do ceratocone. Em casos avançados, onde a deformação corneana é significativa e outros tratamentos não são mais eficazes, pode ser necessário um transplante de córnea.

