Representantes dos setores de café solúvel e de rochas participam de audiência em Washington contra tarifa dos EUA de 25%
Por Amanda Amaral
Para tentar impedir o tarifaço do presidente do Estados Unidos, Donald Trump, entidades brasileiras que representam a cadeia produtiva de dois importantes produtos da pauta exportadora do Espírito Santo – o café solúvel e a rocha natural – participarão da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, sigla em inglês), que será realizada em Washington D.C., no dia 06 de julho.
A sessão acontece após o USTR recomendar a imposição de tarifa de 25% para produtos brasileiros com base em investigações do próprio escritório sobre supostas práticas desleais no comércio do Brasil. O objetivo, tanto da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) quanto do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), é obter isenção da tarifa, que tem prazo para ser definida no dia 15 de julho.
Justificativa do setor de rochas
A proposta de tarifação pelo USTR exclui apenas os quartzitos brasileiros, as outras pedras (granito, mármore, ardósia, etc) poderão ser tarifadas. Segundo a Centrorochas, quando foram anunciadas as primeiras medidas tarifárias em 2025, como estratégia diplomática, a entidade intensificou a articulação com empresas e stake holders americanos para defesa dos interesses do setor.
O setor de rochas defende que as exportações do país não representam uma ameaça à produção doméstica dos Estados Unidos, mas sim um complemento indispensável para a indústria doméstica norte-americana.
A Centrorochas afirma que 99,9% dos materiais enviados são produtos semimanufaturados (chapas), os quais são utilizados por empresas americanas em etapas fundamentais de transformação, distribuição e instalação, abastecendo o mercado de revestimentos e bancadas de alto padrão.
Além disso, segundo a entidade, a nova tarifa provocaria elevação nos custos da construção e da habitação no país devido à ausência de substitutos equivalentes para as rochas brasileiras.
A Centrorochas reúne empresas do setor de rochas de todo o país, sendo que 262 delas, a maioria, estão localizadas no Espírito Santo. Em 2025, o país bateu recorde de exportações faturando ao todo R$ 1,48 bilhões, segundo dados do Coimex Stat.
O Estado teve participação de 78,5% nas exportações brasileiras, com os EUA representando 63,9% das exportações capixabas. O Brasil perdeu em volume no acumulado do ano, já que rochas como mármore, granito e ardósia foram tarifadas no ano passado. Contudo, foi salvo em faturamento pelo quartzito – que obteve isenção.
Justificativa dos exportadores de café
O café em grão ficou de fora da lista dos produtos a serem tarifados pelos EUA EM 2025, mas o café solúvel, de maior valor agregado, não. Para os exportadores de café brasileiros, existe estreita interdependência entre os mercados do Brasil e dos Estados Unidos.
O argumento se fundamenta no fato de o café brasileiro ser um componente insubstituível para a indústria norte-americana devido aos seus atributos naturais únicos e à alta conformidade socioambiental de sua cadeia produtiva, sendo responsável por mais de 30% do mercado dos EUA.
Também alegam que os EUA carecem de uma produção doméstica expressiva de café instantâneo sem sabor, que é um ingrediente crítico para bebidas prontas e cold brew — categorias consumidas diariamente por mais de 53 milhões de adultos americanos.

O depoimento de Marcos Antonio Matos, diretor-executivo da Cecafé, que será apesentado na audiência púbica diz: “os fabricantes americanos de valor agregado enfrentarão uma desvantagem estrutural em relação aos concorrentes estrangeiros”.
O Espírito Santo é o segundo maior produtor de café do país, e líder nacional na produção de conilon com participação de 70%, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De acordo com o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), no acumulado de 2025, as exportações de café pelo Estado totalizaram 4,3 milhões de sacas, 425 mil sacas só de café solúvel. O EUA é o segundo maior comprador do Estado, respondendo por 34%. Em 2026, até o momento, houve redução de 42% no volume e 52% em receita das exportações de café solúvel, segundo o CCCV.

