Evento impulsiona alianças e amplia visibilidade de iniciativas ambientais no Espírito Santo
Por Luciana Almeida
Os debates da conferência não terminaram após seu encerramento. Para o Espírito Santo, o evento serviu como ponto de partida para fortalecer alianças, impulsionar projetos e ampliar a visibilidade de iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável. A participação capixaba reforçou o potencial do estado para liderar discussões sobre inovação, transição energética e soluções climáticas com impacto duradouro.
A participação do Espírito Santo na COP30 ganhou destaque internacional por meio da atuação da Casa Sustentabilidade Brasil, espaço criado pelo Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB) durante a conferência climática realizada em Belém. Segundo a diretora técnica do instituto, Daniela Klein, o local funcionou como um ponto estratégico de articulação entre especialistas, instituições públicas, empresas e organizações da sociedade civil.
Instalada ao lado da chamada Green Zone da conferência, a Casa Sustentabilidade Brasil sediou 53 painéis ao longo da programação e recebeu reuniões de entidades nacionais e internacionais ligadas à pauta ambiental. Entre os destaques esteve o lançamento do Relatório Técnico Integrado da CNSB 2025, documento bilíngue que reuniu contribuições de mais de 300 especialistas e cerca de 2,4 mil participantes envolvidos na construção de propostas para a agenda climática brasileira.
“A Casa criou um espaço físico que facilitou encontros que não aconteceriam de outra forma. Funcionou como ponto de conexão entre partes interessadas”, afirmou Daniela Klein.
Apesar do perfil nacional da programação, a diretora destaca que o Espírito Santo teve presença marcante na conferência, tanto na cultura quanto nas experiências técnicas levadas ao evento. “Da moqueca e do café capixaba ao governador Renato Casagrande, o estado marcou presença de forma concreta”, avalia.

Entre os exemplos citados está a apresentação, pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), da Central de Monitoramento de Florestas, sistema que utiliza imagens de satélite para identificar desmatamento ilegal em tempo real. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) levou cerca de cem engenheiros para debater adaptação climática nos municípios.
O turismo sustentável capixaba também integrou a programação, assim como a atuação jurídica ambiental apresentada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), com participação do Ministério Público do Espírito Santo.
Segundo Daniela Klein, a proposta da Casa Sustentabilidade Brasil foi fortalecer conexões capazes de gerar projetos permanentes.
“O que saiu de lá foram conversas que continuaram depois, conexões que avançaram para projetos em andamento”, afirma.
A diretora destaca a articulação surgida a partir de debates técnicos realizados na Conferência Nacional Sustentabilidade Brasil 2025 (CNSB25), envolvendo ESGás, Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP), Secretaria de Meio Ambiente (Seama), Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). O grupo passou a discutir a criação de um corredor sustentável de gás natural e biometano no estado, iniciativa que resultou na publicação da “Carta do Espírito Santo à COP30”.
“O encontro formal aconteceu em agosto de 2025 e gerou uma publicação conjunta. Não é o evento que transforma, ele ajuda a tornar possível a construção”, diz.
Essa matéria é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

