Levantamento do Procon Vitória mostra grande variação nos preços de alimentos e produtos básicos, impactando o orçamento dos consumidores
Por Letícia Arcanjo
A variação de preços dos alimentos em Vitória segue chamando atenção e evidencia um cenário de forte oscilação no mercado de consumo. Levantamento do Procon Vitória sobre itens de primeira necessidade mostra que a diferença entre o menor e o maior preço de um mesmo produto pode ultrapassar 350%.
A pesquisa foi realizada ao longo de quatro dias em nove estabelecimentos comerciais da capital e analisou os valores de 65 produtos, abrangendo as categorias de alimentação, higiene, limpeza e cuidados infantis. O principal destaque é a banana-prata, com variação de 351,76%, encontrada entre R$ 1,99 e R$ 8,99, a depender do local de compra.
Entre os itens monitorados, o arroz aparece como um dos poucos produtos com comportamento mais favorável ao consumidor. O alimento mantém trajetória de queda, contribuindo para o alívio parcial no custo da cesta básica. Apesar disso, carnes e alguns itens do hortifrúti seguem pressionando o orçamento das famílias. O feijão apresentou estabilidade em relação ao mês anterior, mas permanece acima dos menores valores registrados na série histórica.
O economista e presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão, explica que essas diferenças ocorrem porque os grupos de alimentos respondem a fatores distintos, e o comportamento dos preços não é homogêneo. Ele pontua que o arroz, por exemplo, apresentou queda em função da maior oferta da safra, da recomposição dos estoques e de condições favoráveis de produção.
“A carne sofre influência do custo da alimentação animal, das exportações e também da demanda interna. São um conjunto de variáveis que contribuem para esse movimento. No caso dos hortifrutis, fatores climáticos, sazonalidade, logística e perdas na produção exercem grande influência, tornando esse grupo mais sensível às oscilações de mercado”, afirma.
Outros itens também apresentaram diferenças expressivas, como a laranja-pera, com variação de 197,66%, a salsa, com 187,05%, e a cebolinha, com 179,14%. Segundo o economista, essa dispersão de preços reforça a importância da concorrência entre estabelecimentos, além de fatores como promoções, estratégias comerciais, localização das lojas, custos logísticos, volume de compras e tempo de reposição de estoque.

“Produtos perecíveis, como frutas, costuma apresentar maior dispersão de preços justamente porque possui prazo de validade reduzido e diferentes custos de armazenamento e comercialização, tá? É uma peculiaridade desse grupo de produtos”, pontua.
Ricardo Paixão recomenda ainda que a comparação de preços entre supermercados siga como uma das principais estratégias de economia diante das variações registradas. Ele também sugere práticas como o uso de grupos de mensagens para compartilhamento de ofertas, compra de produtos em maior quantidade quando possível, atenção à sazonalidade dos alimentos, substituição por itens nutricionalmente equivalentes e planejamento prévio das compras.

