Fundador da Terrafé, Raul Guizelini fala sobre empreendedorismo, hospitalidade e o futuro do café especial no Espírito Santo
Por Nathanael Rodor
De cafeteria a laboratório de varejo, a Terrafé se consolidou como uma das principais marcas de cafés especiais do Espírito Santo apostando em experiência, inovação e conexão com o consumidor. Em entrevista ao podcast Café com Moqueca, o fundador Raul Guizelini falou sobre a evolução do mercado cafeeiro, os aprendizados da pandemia e as transformações que devem impactar o setor nos próximos anos.
Empreendedor desde 2012 no segmento, Guizelini contou que escolheu o café por enxergar na hospitalidade uma oportunidade de construir relações e criar experiências. Segundo ele, o crescimento do mercado de cafés especiais no Brasil foi impulsionado pela rastreabilidade, pelo acesso à informação e pela aproximação entre produtores e consumidores, tornando o café um produto cada vez mais valorizado dentro e fora do Espírito Santo.
Hoje, com 18 unidades em operação ou implantação, a Terrafé passou por um reposicionamento estratégico em 2018, quando precisou abandonar a antiga marca e reconstruir sua identidade praticamente do zero. Pouco depois veio a pandemia, período em que a empresa decidiu ampliar investimentos em marketing, lançamentos e presença digital, mesmo diante das incertezas econômicas.
Durante a conversa, o empresário também compartilhou a visão de futuro para o varejo de cafeterias. Para ele, o setor tende a se dividir entre operações altamente escaláveis e espaços premium voltados à experiência e à permanência do cliente. “O ambiente precisa ser desejável. As pessoas querem conexão, conforto e qualidade”, afirmou ao comentar o conceito da loja da Praia do Canto, pensada como um espaço de convivência e experimentação.
Guizelini ainda destacou o papel do Instituto Terrafé na formação de consumidores e na disseminação da cultura do café especial. A proposta é aproximar o público de temas como origem, terroir, torra e métodos de preparo. “O paladar não retrocede”, resumiu o empresário ao defender que o consumidor brasileiro está cada vez mais aberto a experiências sensoriais e produtos de maior valor agregado.

