Em entrevista à ES Brasil, especialistas explicam sinais da “disfagia”, causas e cuidados para evitar complicações graves em idosos com dificuldade para engolir
Por Thamiris Guidoni
Você já ouviu falar sobre disfagia? O que muitas pessoas encaram como um simples engasgo pode, na verdade, indicar um problema de saúde sério. A disfagia é uma condição caracterizada pela dificuldade de engolir alimentos, líquidos ou até a própria saliva, e muitas vezes passa despercebida no dia a dia. Mais comum entre idosos, exige atenção, pois aumenta o risco de engasgos frequentes e complicações respiratórias, impactando diretamente a qualidade de vida.
Em entrevista à ES Brasil, a nutricionista Dalyla Formagine Simonassi explicou que os sinais iniciais podem ser sutis e facilmente ignorados, como tosse ou pigarro durante as refeições e a necessidade de beber água para engolir a comida.
“Os primeiros sinais podem ser bem sutis e comuns no dia a dia, e por isso muitas vezes passam despercebidos pelas famílias”, alerta.
Como oferecer alimentos com segurança:
- Mantenha a pessoa sentada, com tronco ereto ou cabeceira elevada.
- Ofereça pequenas quantidades por vez, respeitando o tempo para mastigar e engolir.
- Evite conversar ou se distrair durante a refeição.
- Prefira alimentos pastosos ou amassados e líquidos mais consistentes.
- Observe sinais de alerta: tosse, engasgos, alteração da voz ou perda de peso inexplicada.
Além disso, Dalyla destaca que a disfagia não é exclusiva de idosos. Crianças prematuras, com alterações neurológicas ou malformações congênitas, e adultos com sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou doenças neurológicas, como Esclerose Lateral Amiotrófica, também podem apresentar a condição.
“Em crianças, a disfagia é mais frequente em casos de prematuridade, alterações neurológicas, como a paralisia cerebral, malformações congênitas ou alguns transtornos do desenvolvimento. Nos adultos, a condição pode surgir devido a traumas ou doenças que afetam o sistema neurológico, como sequelas de um Acidente Vascular Cerebral. Além disso, doenças que comprometem os neurônios motores, como a Esclerose Lateral Amiotrófica, também podem provocar a disfagia.”
Tratamento e prevenção
A supervisora da equipe de Nutrição e Fonoaudiologia do Hospital MedSênior, Tatiana Lessa, reforça que o tratamento depende da causa da disfagia e pode envolver reabilitação fonoaudiológica, adaptação da dieta e exercícios específicos para fortalecer a musculatura envolvida na deglutição.
“Engolir é algo que fazemos tão ‘automaticamente’ que parece simples, mas não é. A deglutição envolve uma coordenação complexa, com cerca de 50 pares de músculos, além de nervos. Quando esse processo não acontece corretamente, a pessoa pode se engasgar ou ter dificuldade para levar o alimento até o estômago com segurança, o que pode provocar situações graves e até levar ao óbito.”
Tatiana também destaca a importância de técnicas de prevenção e socorro em situações de engasgo, que podem salvar vidas.
Ela explica que, se o idoso estiver consciente e tossindo, é fundamental incentivá-lo a continuar tossindo; caso não consiga respirar, é necessário realizar a manobra de Heimlich ou acionar imediatamente o serviço de emergência.
A profissional completa que ajustes simples, como inclinar levemente o queixo para baixo ao engolir e utilizar líquidos mais espessos, podem reduzir os riscos e tornar as refeições mais seguras.

