Uso do cartão de crédito, juros altos e falta de educação financeira estão entre as principais causas de endividamento das famílias capixabas
Por Letícia Arcanjo
O endividamento ainda faz parte da realidade de muitas famílias brasileiras e está ligado a uma série de fatores que impactam diretamente o orçamento doméstico.
Dados do Connect Fecomércio-ES, com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), mostram que o índice de famílias endividadas no Estado apresentou leve queda em março, chegando a 87,8%, um recuo de 1,5 ponto percentual em relação a fevereiro.
Para o presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão, o cenário do endividamento das famílias envolve diferentes fatores presentes na realidade econômica do brasileiro. Entre eles, o cartão de crédito aparece como um dos principais responsáveis pelo descontrole financeiro.
“O cartão de crédito exerce uma ilusão monetária. A pessoa vai comprando, perde o controle de quanto está gastando e, como as parcelas cabem no orçamento naquele momento, acaba não percebendo o tamanho da dívida até a chegada da fatura”, afirma.
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O economista destaca ainda que as altas taxas de juros do país agravam o problema. Segundo ele, os juros do cartão de crédito podem chegar a cerca de 400% ao ano, transformando pequenas dívidas em valores difíceis de serem quitados em pouco tempo.
Além disso, Ricardo Paixão ressalta que a falta de planejamento financeiro e de educação financeira também colaboram para o aumento das dívidas, o economista explica que muitas pessoas não acompanham os próprios gastos e acabam utilizando o dinheiro sem controle.

“Ter controle financeiro, entender os custos e acompanhar os gastos é muito importante. O brasileiro ainda carece dessa educação financeira, que passa pelo uso racional do dinheiro e pela compreensão de que cada centavo tem valor”, destaca.
Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), além do cartão de crédito, outros fatores também contribuem para o endividamento das famílias, independentemente da faixa de renda, tanto para quem recebe até 10 salários mínimos quanto para quem possui renda superior.
O financiamento da casa é a principal dívida para quem ganha acima de 10 salários mínimos (18,5%), seguido pelas parcelas da prestação do automóvel (9,6%). No caso de quem possui renda inferior aos 10 salários mínimos, o crédito pessoal é o vilão para 14,7% dessa população.

