Cerca de 39 mil consumidores regularizaram pendências em abril, enquanto o índice de inadimplência caiu para 32,6%
Por Letícia Arcanjo
A inadimplência no Espírito Santo registrou a quinta queda consecutiva em abril, permitindo que cerca de 39 mil consumidores regularizassem suas pendências financeiras. Com isso, o percentual de famílias com contas em atraso caiu para 32,6%, uma redução de 0,9 ponto percentual em comparação com março. O valor médio das dívidas ficou em R$ 1.542,50.
Os dados são do Connect Fecomércio-ES, elaborados a partir da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
De acordo com o economista do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Vaner Corrêa, a melhora no indicador é resultado de um conjunto de fatores. Entre eles estão a manutenção de um mercado de trabalho aquecido, que contribui para a geração de renda, e uma postura mais cautelosa dos consumidores diante das taxas de juros ainda elevadas, priorizando a quitação de débitos.
“Além disso, programas de renegociação, condições facilitadas oferecidas por credores e a desaceleração da inflação em determinados grupos de despesas contribuíram para melhorar a capacidade de quitação dos débitos”, ressalta.
Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os reflexos da redução da inadimplência vão além do orçamento das famílias. “A queda da inadimplência melhora a capacidade financeira das famílias, reduz despesas com juros e libera recursos para outras despesas e para o consumo. Além disso, consumidores com a situação regularizada tendem a recuperar o acesso ao crédito, o que fortalece a atividade econômica e beneficia diretamente os setores de comércio e serviços”, afirma.
O levantamento aponta ainda uma leve redução no nível de endividamento das famílias capixabas, que alcançou, no mês de abril 87,5%, frente aos 87,8% registrados no mês anterior. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o percentual de endividamento chegou a 88,8%. Já entre aquelas com renda superior a esse patamar, o índice foi de 78,5%.

Vaner Corrêa pontua que é importante diferenciar endividamento de inadimplência, segundo o economista, uma família pode ter dívidas e, ainda assim, cumprir todos os compromissos dentro do prazo. Ele explica que o percentual de 87,5% revela que a maior parte das famílias utiliza algum tipo de crédito, seja por meio de cartão, financiamento, empréstimo ou compras parceladas. A inadimplência, por sua vez, refere-se especificamente ao atraso no pagamento dessas obrigações.
“O cenário atual sugere que as famílias continuam utilizando crédito de forma intensa, mas estão conseguindo administrar melhor seus compromissos financeiros. Isso é um sinal positivo, embora ainda exija cautela, pois níveis elevados de endividamento tornam as famílias mais vulneráveis a choques de renda ou aumento das despesas”, destaca.

