Organização, escolha do método de pagamento e controle dos gastos são estratégias para sair do vermelho e evitar novo endividamento
Por Letícia Arcanjo
Diante do aumento do custo de vida e do uso frequente do crédito, muitos brasileiros enfrentam dificuldades para manter as contas em dia. Em entrevista à ES Brasil, a assessora de investimentos e membro do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (IBEF-ES), Erika Almeida, explica que, para sair do vermelho, o primeiro passo não é pagar as dívidas, mas organizar a vida financeira.
Segundo a assessora de investimentos, o início desse processo passa por colocar todas as dívidas no papel, incluindo valor total, taxa de juros, parcelas, credores e a situação de cada débito.
Em seguida, é importante organizar as dívidas da mais cara para a mais barata e calcular quanto sobra no orçamento mensal para iniciar os pagamentos. “Só depois disso faz sentido começar a pagar, porque sem organização a pessoa paga aleatoriamente e continua endividada”, afirma.

Erika destaca que existem dois métodos principais para quitar dívidas, sendo eles o da bola de neve e o da avalanche. No primeiro, o foco está em pagar as menores dívidas, o que ajuda na motivação ao eliminar pendências rapidamente.
Já no método da avalanche, a prioridade são as dívidas com juros mais altos, reduzindo o custo total no longo prazo. Segundo ela, ambos são eficazes, e a escolha depende mais do perfil emocional do que do valor das dívidas.
Na prática, porém, a assessora de investimentos ressalta que, do ponto de vista financeiro, priorizar dívidas com juros mais altos tende a ser a estratégia mais vantajosa. Nesse grupo estão o cartão de crédito e o cheque especial, seguidos por empréstimos pessoais e parcelamentos.
“Dívidas com juros baixos, como financiamentos mais antigos ou parcelas sem juros, podem ser deixadas por último. A lógica é simples: quanto maior o juro, maior o prejuízo por mês”, ressalta.
A especialista também explica que negociar diretamente com bancos ou empresas costuma ser mais vantajoso, já que os descontos tendem a ser maiores e não há cobrança de taxas intermediárias. Atualmente, muitas dessas negociações podem ser feitas de forma online, inclusive com apoio de iniciativas ligadas ao Banco Central.
Confira 5 dicas para sair do vermelho
- Identifique os gastos invisíveis: analise o orçamento para entender onde estão pequenas despesas que passam despercebidas;
- Corte excessos: reduza gastos desnecessários que, somados, representam um valor significativo no fim do mês;
- Renegocie as dívidas: busque melhores condições para diminuir juros e parcelas;
- Crie uma reserva de segurança: mesmo durante o pagamento das dívidas, comece a guardar uma quantia;
- Transforme o hábito financeiro: após quitar as dívidas, direcione o valor antes comprometido para investimentos.

