Prefeitura da Serra inicia restauração da Igreja de São José, em Queimado

Foto: Reprodução

A autorização foi concedida pelo Iphan e a estimativa é de que as obras se iniciem em três meses

A restauração das ruínas da igreja de São José, no distrito de Queimado, começou na última quarta-feira (25). De acordo com a Prefeitura da Serra, as atividades de prospecção arqueológica em um raio de 700 metros em torno do que restou do templo.

O objetivo da ação é encontrar na área artefatos da época dos escravos, como vasos e quadros, que serão enviados ao Museu Histórico da Serra. O terreno do sítio histórico, que antes era particular, foi doado à Prefeitura da Serra em 2015.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) concedeu a autorização de exploração da área em 16 de abril, e o trabalho de campo é realizado pela empresa A Lasca Consultoria e Assessoria em Arqueologia.

Segundo o titular da Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer (Setur), Alessandre Motta Rios, o trabalho vai durar aproximadamente 30 dias, caso não haja intercorrências, como chuva, por exemplo. Após isso, será enviado um relatório ao Iphan para que o órgão autorize a restauração.

O Sindicato do Comércio Atacadistas e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades) ficará responsável pelo restauro, após a assinatura de um termo de cooperação técnica com a administração municipal. Essa obra deve custar em torno de R$ 1,8 milhão, mas o valor ainda não está consolidado.

Será feita a restauração e reforço das paredes atuais para que se mantenham firmes, sem descaracterizar o ambiente. A ideia, segundo Rios, é que as pessoas possam visitar o local, um museu a céu aberto.

As ruínas da igreja serão restauradas / Foto: Reprodução

“Queremos que as pessoas visitem, sejam orientadas por guias turísticos e conheçam a história do Queimado.  O local conta a história dos primórdios da Serra e deve ser preservado”, frisou o secretário.

A secretária de Direitos Humanos e Cidadania da Serra, Lourência Riani, destacou a importância da restauração “Esse projeto é um sonho de movimento negro e um compromisso da gestão municipal com o resgate histórico da cidade”, disse.

Já o coordenador de governo, Jolhiomar Massariol, ressaltou que “a restauração é um sonho antigo da sociedade serrana. A equipe de governo está empenhada em contribuir com os trabalhos para que a obra de restauração sai o mais rápido possível.”

Queimado

Localizado a cerca de 25 quilômetros da capital do Estado, Vitória, o sítio histórico foi palco do principal movimento contra a escravidão no Espírito Santo: a Insurreição do Queimado.

Em 19 de março de 1849, escravos da localidade de São José do Queimado, hoje distrito de Queimado, se revoltaram por causa de uma promessa do frei italiano Gregório José Maria de Bene. Se os escravos construíssem a igreja de São José, teriam alforria, mas isso não aconteceu.

Mais de 300 homens, mulheres e até crianças participaram desta rebelião capitaneada por Chico Prego, João da Viúva, Elisiário e muitos outros líderes que articularam seu povo para tomar a liberdade com as próprias mãos.

A insurreição foi um movimento tão forte que para contê-la foram necessárias forças vindas do estado do Rio de Janeiro, além das capixabas.

Os rebelados foram presos e julgados, cinco deles condenados à morte. Um dos líderes da Revolta, Elisiário, escapou da cadeia e refugiou-se nas matas do Morro do Mestre Álvaro e nunca mais foi recapturado. Chico Prego foi capturado e enforcado, em 11 de janeiro de 1850.  Hoje, ele nomeia a Lei de Incentivo Cultural do Município.

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