Programa estadual oferece assistência técnica e promove sustentabilidade no agro capixaba
Por Ludmila Azevedo
A sustentabilidade vem se consolidando como um diferencial competitivo para o agronegócio capixaba, impulsionada por exigências cada vez maiores dos mercados internacionais e por iniciativas que estimulam boas práticas ambientais, sociais e de governança nas propriedades rurais. Mas, para que esse movimento alcance toda a cadeia produtiva, é preciso enfrentar um desafio fundamental.
Um dos principais desafios da agenda ESG no agro é garantir que pequenos produtores consigam se adaptar às novas exigências sem serem excluídos pelos custos das certificações.
No Espírito Santo, a estratégia adotada é oferecer assistência técnica contínua e adequação gradual das propriedades. Após a aplicação do currículo de sustentabilidade, os produtores recebem um plano de ação individualizado e acompanhamento técnico do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) ou de outros órgãos competentes.
“O Governo do Estado e parceiros custeiam esse processo. Temos profissionais capacitados em todos os municípios, para orientar os produtores e acompanhar a melhoria ano após ano”, explica o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.
A produtora rural Emilia Maria Seibel, de Laranja da Terra, aderiu recentemente ao programa Propriedade + $ustentável, iniciativa do Sistema Faes/Senar-ES voltada à regularização ambiental das propriedades rurais.
“Aderi ao programa por necessidade de regulação fundiária perante o Cadastro Ambiental Rural (CAR), com a proteção de recursos hídricos na propriedade por meio de sistema de agrofloresta”, conta.
Segundo ela, a expectativa é que a área restaurada potencialize os resultados da produção de cacau e da meliponicultura.
O produtor rural Anderson Lousada, do Sítio Bom Sucesso, no interior de Brejetuba, também aderiu ao programa, em busca de melhorias ambientais e produtivas para a propriedade.
“Aqui a gente produz café, feijão e milho. Quando soube do projeto, eu me interessei pela melhoria do sítio e pela preservação ambiental”, comenta.
Como parte das ações previstas, Anderson deve receber cerca de 1,5 mil mudas em setembro, entre espécies amazônicas, frutíferas e palmitos, que serão plantadas às margens do rio da propriedade, localizada na comunidade de São Jorge de Oliveira.
O programa oferece consultoria técnica para elaboração, implantação e monitoramento das etapas de recuperação ambiental nas propriedades rurais capixabas. A proposta é unir adequação ambiental e rentabilidade econômica.
Estudos recentes apontam que a adoção de boas práticas agrícolas no café conilon pode ampliar, também, o estoque de carbono no solo e contribuir para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Um relatório elaborado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) sobre o balanço de gases de efeito estufa do café conilon capixaba aponta que sistemas baseados em boas práticas apresentaram, em diversos casos, estoques de carbono superiores aos observados em áreas de pastagem utilizadas como referência.
O estudo também destaca que iniciativas internacionais ligadas ao clima e ao manejo sustentável do solo recomendam o monitoramento desses estoques de carbono como estratégia para mensurar os impactos positivos da agricultura sustentável.
Essa matéria é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

