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Vulnerabilidade climática atinge o Espírito Santo

Mudanças climáticas aumentam eventos extremos no Espírito Santo, afetando agricultura e ampliando vulnerabilidades sociais no estado

Por Luciana Almeida

O avanço das mudanças climáticas já produz efeitos concretos no Espírito Santo e, de acordo com o professor de Climatologia do Departamento de Geografia da Ufes, Wesley Correa, exige do poder público políticas cada vez mais robustas de adaptação e resiliência, destacando o aumento de eventos extremos no território capixaba e os impactos sociais, econômicos e ambientais provocados por esse cenário.

Segundo o pesquisador, os efeitos das mudanças climáticas atingem de forma desigual a população, ampliando vulnerabilidades históricas e sociais. 

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“As populações mais pobres tendem a sofrer mais com os eventos climáticos extremos porque, muitas vezes, vivem em áreas suscetíveis a alagamentos e deslizamentos. Não é uma escolha dessas pessoas, mas resultado de um problema estrutural e da ausência histórica de políticas públicas adequadas”, afirma.

Além da vulnerabilidade social, Wesley destaca que a agricultura capixaba também está entre os setores mais expostos às mudanças climáticas. 

“Eventos extremos tendem a ficar mais frequentes e intensos. Culturas como café, hortaliças e frutas são extremamente sensíveis às variações climáticas e já sofrem impactos com o aumento das temperaturas”, explica.

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Os estudos desenvolvidos pela universidade apontam diferenças importantes entre as regiões do estado. No Norte do Espírito Santo, as secas têm se tornado mais recorrentes, prolongadas e severas. Já no Sul, principalmente em municípios como Cachoeiro de Itapemirim e Mimoso do Sul, o aumento das chuvas intensas eleva o risco de alagamentos, deslizamentos e desastres naturais.

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“O Norte já é climatologicamente mais quente e seco. Os modelos indicam que a região tende a ficar ainda mais seca. Por outro lado, o Sul do estado está ficando mais quente e mais úmido, o que favorece a ocorrência de eventos extremos de precipitação”, diz o professor.

Na Grande Vitória, outro fenômeno preocupa os pesquisadores: a intensificação das ilhas de calor urbanas. Um levantamento realizado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) identificou aumento de até 1,6 grau nas temperaturas mínimas em Vitória ao longo dos últimos 60 anos. 

“O clima da região metropolitana está ficando mais quente e mais úmido. Se essa tendência continuar, os eventos extremos de chuva tendem a se tornar cada vez mais comuns”, comenta.

Essa matéria é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

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