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impactos do El Niño exigem ação conjunta da sociedade

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El Niño: Planejamento, cooperação e resiliência como caminhos para enfrentar a crise climática  

Por Luiz Fernando Schettino

O Espírito Santo se prepara para enfrentar os efeitos do fenômeno El Niño entre 2026 e 2027, com previsões de temperaturas acima da média, estiagens prolongadas no Norte e Noroeste e chuvas intensas no litoral e Sul. As ondas de calor devem aumentar casos de desidratação, doenças respiratórias e cardiovasculares, pressionando o sistema de saúde.

Na economia, perdas na produção agrícola, especialmente café conilon — cuja safra pode cair até 4,2% em 2026 segundo estimativas da Conab — e pecuária de leite, pressionada por pastagens secas e custos de suplementação, podem comprometer exportações e renda de milhares de famílias. O café arábica da região serrana e do Caparaó também é vulnerável, por ser mais sensível ao calor e à irregularidade das chuvas. Hortaliças e frutas como mamão, pimenta-do-reino e alface sofrem perdas significativas com ondas de calor e chuvas irregulares, afetando a renda de pequenos agricultores, enquanto o setor pesqueiro enfrenta redução de estoques devido ao aquecimento do Atlântico.

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O comércio e os serviços poderão sofrer com oscilações de abastecimento e energia, e a redução nos níveis dos reservatórios ameaça a geração hidrelétrica, podendo levar ao acionamento de usinas termelétricas, mais caras e poluentes, o que pressiona ainda mais os custos e compromete a sustentabilidade do sistema elétrico.

O turismo, setor estratégico para o Espírito Santo, também poderá ser impactado, já que enchentes e incêndios florestais afetam a infraestrutura, a mobilidade e a atratividade de destinos naturais e culturais, exigindo reforço nos planos de contingência e comunicação com visitantes. O meio ambiente enfrenta risco elevado de incêndios florestais e enchentes, resultado da combinação entre estiagens prolongadas e chuvas intensas.  

Diante desse cenário, o governo estadual intensifica medidas como monitoramento meteorológico, construção de barragens, distribuição de ensacadoras de forragem para pecuaristas, incentivo à formação de estoques de silagem, mobilização de brigadas contra incêndios e orientação técnica do Incaper. Órgãos como Seama, Agerh, Iema, Incaper, Idaf, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil atuam de forma integrada para reduzir os impactos.

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 O enfrentamento do El Niño exige responsabilidade compartilhada. Cada cidadão deve adotar práticas de economia de água e energia, colaborar na prevenção de incêndios e cuidar da saúde em períodos de calor extremo. A sociedade civil tem papel essencial na mobilização comunitária e apoio a famílias vulneráveis. O meio empresarial precisa investir em tecnologias de eficiência hídrica e energética, além de apoiar iniciativas de sustentabilidade. Já os municípios devem reforçar planos de contingência, estruturar defesas civis locais e garantir comunicação rápida com a população em situações de risco.  

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Nesse contexto, o Espírito Santo se destaca como o estado mais preparado do país para enfrentar o super El Niño, resultado de planejamento antecipado, políticas públicas consistentes e integração entre órgãos estaduais. Essa condição reforça a importância da união entre governo, sociedade e setor produtivo, mostrando que a preparação coletiva é o caminho para enfrentar os desafios climáticos com resiliência. O fato de o Espírito Santo estar mais bem preparado não elimina os riscos, mas evidencia que somente com planejamento antecipado, uso racional dos recursos e integração entre governo, municípios, empresas e cidadãos será possível proteger vidas, reduzir prejuízos e garantir a resiliência da economia e do meio ambiente capixaba.  

Mais do que nunca, é necessário transformar a consciência climática em ação prática. O El Niño não é apenas um desafio meteorológico, mas um teste de maturidade social e política. A capacidade de enfrentar seus impactos será medida pela solidariedade entre comunidades, pela inovação tecnológica aplicada ao campo e às cidades e pela firmeza das lideranças em priorizar a sustentabilidade. O Espírito Santo pode se tornar referência nacional não apenas por estar preparado, mas por demonstrar que a cooperação e a responsabilidade coletiva são as maiores ferramentas para enfrentar crises climáticas e construir um futuro mais seguro e equilibrado.  

Luiz Fernando Schettino é engenheiro florestal, mestre e doutor em Ciência Florestal, advogado, escritor, ambientalista e ex-Secretário Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo

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