
Em um cenário nacional marcado por restrições fiscais e desafios estruturais, demonstramos que é possível conciliar disciplina orçamentária com expansão do investimento público e melhoria na qualidade dos serviços
Por Ricardo Ferraço
O Espírito Santo consolidou, ao longo dos últimos anos, um modelo de gestão pública que combina equilíbrio fiscal, capacidade de investimento e eficiência na alocação de recursos. Os dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) 2025, divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional, reforçam esse posicionamento ao destacar que o Espírito Santo é, mais uma vez, o Estado que mais investe no Brasil e o que apresenta o melhor índice de poupança, além de contar com o menor nível de endividamento entre as unidades da Federação.
E não é pontual. O Espírito Santo mantém, há 14 anos consecutivos, nota A na avaliação da capacidade de pagamento da Secretaria do Tesouro Nacional, tendo alcançado a A+, nível máximo, nos últimos ciclos. Além disso, lidera em solidez fiscal no Ranking de Competitividade dos Estados do Centro de Liderança Pública (CLP), evidenciando uma trajetória sólida de responsabilidade na gestão das contas públicas.
Esse desempenho é fruto de escolhas. Ao longo do tempo, o Estado priorizou o controle do gasto, a qualificação da despesa e a construção de uma poupança pública robusta. Com baixo nível de endividamento e alta capacidade de geração de caixa, o Governo criou as condições necessárias para investir com recursos próprios, reduzindo a dependência de operações de crédito e ampliando autonomia financeira.
O equilíbrio fiscal, nesse contexto, não é um fim em si mesmo. Ele se traduz em capacidade concreta de entrega. A solidez das contas públicas permite ao Estado sustentar investimentos relevantes em áreas essenciais. Saúde, educação, infraestrutura e segurança pública, além de viabilizar políticas de longo prazo com maior previsibilidade e continuidade.
Um dos aspectos mais relevantes desse modelo é a capilaridade. No ciclo de investimentos entre 2019 e 2026, deveremos alcançar R$ 26 bilhões, sendo 20% destinados diretamente aos municípios. Estratégia que fortalece o desenvolvimento regional, amplia a capacidade de execução local e garante que os resultados da boa gestão fiscal se convertam em benefícios concretos para a população em todo o território capixaba. Reflexo direto na melhoria da qualidade de vida.
Na educação, por exemplo, com o Fundo Estadual de Apoio à Ampliação e Melhoria das Condições de Oferta da Educação Infantil e do Ensino Fundamental (Funpaes), nos editais de 2025 e 2026, o Governo do Estado investe R$ 725 milhões nas redes municipais de ensino. Recurso disponível aos 78 municípios.
Esse arranjo institucional também contribui para a construção de um ambiente de confiança. A previsibilidade fiscal e a estabilidade institucional reduzem riscos, atraem investimentos privados o que potencializa o dinamismo econômico do Estado. Há, portanto, uma relação direta entre responsabilidade na gestão pública e capacidade de crescimento.
Em um cenário nacional marcado por restrições fiscais e desafios estruturais, demonstramos que é possível conciliar disciplina orçamentária com expansão do investimento público e melhoria na qualidade dos serviços. Mais do que um diferencial técnico, trata-se de uma escolha política: a de planejar, priorizar e executar com responsabilidade. O resultado é um Estado que não apenas equilibra suas contas, mas transforma esse equilíbrio em desenvolvimento. Um modelo que alia eficiência, investimento e compromisso com as pessoas. Que hoje é referência nacional de gestão pública.
Ricardo Ferraço é Governador do Estado do Espirito Santo
Esse artigo é uma republicação da edição 233 da Revista ES Brasil – ES Em Números. Leia a edição digital completa aqui.

