Especialista explica que a área de fundeio funciona como “estacionamento” no mar e organiza a entrada de embarcações nos portos
Por Letícia Arcanjo
Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que a movimentação de cargas nos portos capixabas, de janeiro a setembro de 2025, somou mais de 97,7 milhões de toneladas, um aumento de 7,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registradas 90,7 milhões de toneladas. Diante desse volume, a organização da chegada das embarcações é parte essencial da operação portuária.
Em entrevista à ES Brasil, o professor de Logística, Gestão Portuária e Comércio Exterior da Universidade Vila Velha (UVV), Francisco Júnior, explica como funciona o sistema que regula a entrada e saída das embarcações.
Segundo o especialista, antes de atracar, os navios não seguem diretamente para o cais. Eles permanecem na chamada área de fundeio, onde aguardam autorização para entrar no terminal.
O professor destaca que essa área é previamente definida pelas autoridades portuárias e possui profundidade adequada para garantir a segurança das embarcações durante a espera. “Imagina que é como um estacionamento marítimo. Os navios ficam ali parados até serem chamados”, explica.
Como os navios são organizados
No ambiente portuário, a organização segue uma fila operacional. Francisco Junior ressalta que os navios não ficam em uma fila tradicional, mas são organizados por um sistema que define a ordem de entrada.
Essa liberação para entrar no porto depende de diversos fatores, como a disponibilidade de berço, local onde o navio atraca, o tipo de carga, a ordem de chegada, a regularidade da documentação, as condições climáticas e a eficiência operacional do terminal.
“Se o terminal tem baixa produtividade, isso impacta diretamente essa fila. Quanto mais eficiente, mais rápido ocorre o carregamento e descarregamento dos navios”, ressalta.
Segurança e monitoramento
A entrada no porto exige precisão. As manobras são realizadas em baixa velocidade e contam com o apoio de um prático, profissional especializado que auxilia o comandante em áreas restritas. Após a manobra, o navio segue para o berço específico, onde são realizadas as operações de carga e descarga.
Todo o tráfego marítimo é monitorado por sistemas de controle. O professor ressalta que no Espírito Santo, é utilizado o Vessel Traffic Management Information System (VTMIS), que acompanha o deslocamento desde a área de fundeio até a atracação.
Além disso, todas as operações seguem normas da Organização Marítima Internacional (IMO) e da Marinha do Brasil, garantindo padrões rigorosos de segurança e logística.

