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Parar de fumar pode garantir até uma década a mais de vida

No Dia Mundial Sem Tabaco, em 31 de maio, médicos alertam sobre o risco dos cigarros

Por Lívia Marques

O tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas a cada ano, entre as quais cerca de sete milhões são resultado do uso direto e um milhão corresponde a não-fumantes expostos passivamente ao cigarro. Além disso, os dados da Organização Mundial da Saúde revelam que 29% das doenças cardiovasculares são causadas pelo cigarro. São muitas as notícias e as pesquisas ruins e preocupantes que demonstram a relação direta entre cigarro, doenças e morte.

Mas há também abordagens positivas. Especialistas garantem que parar de fumar, independente da idade, sempre pode trazer benefícios. “É claro que, num cenário ideal é melhor não começar a fumar até porque sabemos das dificuldades para abandonar um vício já instalado, mas as pesquisas indicam que há benefícios imediatos em dexiar o cigarro. Além deles, o tempo de vida aumenta proporcionalmente o quão antes alguém abrir mão do cigarro”, afirma a médica pneumologista da MedSênior Lívia Marques da Silva Gama.

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Os trabalhos demonstram que quem para de fumar aos 30 anos ganha quase 10 anos em expectativa de vida. Aos 40, são nove anos a mais. Aos 50, seis anos e, aos 60, três anos.

Além disso, há ganhos imediatos. Em 20 minutos sem cigarro, ritmo cardíaco e pressão arterial baixam. Em 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue cai para o normal. De duas a 12 semanas, a circulação sanguínea melhora e a função pulmonar aumenta.

Entre um a nove meses, a tosse e a falta de ar diminuem.  Em um ano, o risco de desenvolver uma doença coronariana cai pela metade (em relação a um fumante).

“Ou seja, quando trabalhamos focados no envelhecimento saudável, o tabagismo é um hábito que tentamos evitar ou interromper. São muitos os malefícios”, considera a médica.

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Cigarro eletrônico

Engana-se quem pensa que, ao optar por uma versão eletrônica do cigarro, está livre de riscos. Sociedades médicas e especialistas têm trabalhado para manter a proibição de cigarros eletrônicos – sim, a comercialização deles é proibida no Brasil desde 2009, apesar de serem vistos nas ruas em número cada vez maior – por conta do grau de toxicidade dos chamados “vapes”.

A Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), por exemplo, alerta para as complicações cardiovasculares e pulmonares que o uso de cigarros eletrônicos também pode gerar, funcionando como porta de entrada para o tabagismo e colocando em xeque avanços no combate à dependência química da nicotina.

Segundo especialistas, no cigarro eletrônico, é realizado o aquecimento e não a combustão da nicotina, o que seria uma de suas “vantagens”. A questão é que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, muitos deles liberam em seu vapor mais de 80 substâncias, entre elas a própria nicotina e outras substâncias cancerígenas e com potencial explosivo, metais pesados, além de produtos utilizados na indústria alimentícia.

Eles explicam que faltam estudos complementares e a variedade de tipos e marcas dificulta a avaliação em longo prazo de malefícios, mas não há dúvida sobre o potencial danoso das partículas inaladas no vapor justamente pela presença da nicotina, que comprovadamente contribui para o surgimento das doenças cardiovasculares e pulmonares. Neste caso, há ainda a dificuldade de se verificar e controlar dosagens da nicotina. Ressaltam, independente da forma do cigarro, o tabagismo é considerado uma doença sistêmica, na medida em que tem potencial para causar danos e provocar doenças em vários órgãos.

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Lívia Marques da Silva Gama é Médica especialista em pneumologia pela UERJ/RJ; Médica pneumologista do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam); da MedSênior, e preceptora do curso de medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

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