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Operações alfandegárias nos portos do ES ainda enfrentam barreiras

Para a Findes, a implementação de soluções tecnológicas pode reduzir entraves nos portos

Por Daniel Hirschmann

O Espírito Santo busca se firmar como um hub logístico nacional e internacional, apostando na integração entre ferrovias, rodovias, portos e tecnologia. Projetos como a construção da ferrovia EF-352, a expansão dos portos da Petrocity e Imetame e melhorias na infraestrutura rodoviária, como as duplicações da BR-101 e BR-262, são apontados como essenciais para impulsionar o escoamento de cargas e conectar o estado ao restante do país. 

Além das obras físicas, a modernização tecnológica também é vista como crucial para elevar a competitividade capixaba frente a grandes complexos portuários, como os de Santos e Santa Catarina. Hoje, no entanto, as operações alfandegárias nos portos do Espírito Santo ainda enfrentam barreiras significativas, como a burocracia excessiva e a falta de integração entre os sistemas de diferentes órgãos governamentais, o que resulta em atrasos na liberação de mercadorias.

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Para a Findes, a implementação de soluções tecnológicas, como o despacho aduaneiro eletrônico e a automatização de processos, pode reduzir esses entraves, aumentando a eficiência e a competitividade dos portos. “Além disso, investir em treinamento e capacitação dos profissionais envolvidos nas operações alfandegárias é essencial para garantir que estejam atualizados com as melhores práticas e regulamentações internacionais”, frisa o gerente da entidade.

Uma das soluções digitais que está sendo adotada para controle aduaneiro no estado é o Projeto E-Trânsito, em desenvolvimento pela Alfândega do Porto de Vitória. Trata-se de um sistema para automatizar a gestão do trânsito de cargas entre as áreas alfandegadas, tornando os trâmites mais ágeis e reduzindo os tempos de espera para movimentação e liberação de mercadorias. “Com a digitalização e a padronização dos processos, há um ganho significativo na eficiência logística, evitando gargalos operacionais e facilitando a integração com os outros modais de transporte”, constata o presidente interino do Sindiex, Agnaldo Martins.

Segundo ele, o uso de sistemas inteligentes de gestão logística e a expansão da cabotagem permitem maior previsibilidade no transporte de mercadorias. “A criação de novos corredores logísticos também é uma estratégia essencial para garantir uma logística fluida e reduzir custos para os operadores do comércio exterior”, afirma.

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Qualificação para o mercado

Projetos de ampliação e de implantação de novos portos no Espírito Santo, como Imetame (foto), exigem formação de mão de obra qualificada e abrem oportunidades de emprego para a população capixaba - Foto: Divulgação / Imetame
Projetos de ampliação e de implantação de novos portos no Espírito Santo, como Imetame (foto), exigem formação de mão de obra qualificada e abrem oportunidades de emprego para a população capixaba – Foto: Divulgação / Imetame

Na opinião dos técnicos e representantes do setor, a melhoria de eficiência operacional de um mercado, ou daqueles que compõem seus elos, também depende de se ter um mercado livre e com concorrência. De olho nesse mercado considerado gigantesco, a Findes iniciou as obras do Senai Porto, nos galpões das antigas docas, no Porto de Vitória.

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O projeto, que será inaugurado no segundo semestre deste ano, vai qualificar mão de obra voltada para o segmento de economia do mar.

Outra iniciativa para a qualificação de mão de obra no setor vem da Ufes e do governo do Estado, por meio do curso de extensão “Portos: Operação, Planejamento e Construção”, que chega à sua terceira edição em 2025. Segundo o professor Rodrigo de Alvarenga, que coordena o curso, as duas primeiras turmas foram presenciais, mas a iniciativa despertou interesse da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect), que “comprou” o curso, pedindo que ele fosse realizado totalmente online, para atender a população de todo o estado. A expectativa é de que as inscrições para a terceira turma comecem no mês de maio, com 100 vagas, de forma gratuita, para a população capixaba.

A ideia é formar a mão de obra para os novos portos e para os que serão ampliados, dando mais oportunidades de emprego aos moradores do estado. “Não adianta a gente criar infraestrutura aqui e começar a importar mão de obra, porque nós vamos inchar o estado e vamos continuar não dando qualidade de vida ao nosso cidadão, porque ele não vai ter emprego de qualidade”, comenta Alvarenga. Além disso, ele espera que ainda este ano a Ufes comece a oferecer, também, um curso nos mesmos moldes para o trabalho em ferrovias.

*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 226, especial de Portos, que circula em abril de 2025. Leia a edição aqui

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