Plataforma criada por capixabas automatiza atendimento, agendamentos e processos clínicos para reduzir gargalos financeiros no setor de saúde privada
Por Nathanael Rodor
Enquanto clínicas médicas e odontológicas buscam ampliar faturamento, parte significativa das perdas financeiras continua ligada a falhas operacionais, como demora no atendimento, ausência de acompanhamento de pacientes e faltas em consultas. Nesse cenário, uma startup capixaba aposta no uso de inteligência artificial para reorganizar processos comerciais e administrativos do setor de saúde privado. O Ailum, ecossistema de IA voltado para clínicas e consultórios, recebeu recentemente um aporte de R$ 600 mil por 5% da operação, avaliação que posiciona a empresa em um valuation inicial de R$ 12 milhões.
A proposta da plataforma é automatizar etapas que normalmente dependem exclusivamente da recepção das clínicas. Integrado ao WhatsApp, o sistema conduz o relacionamento com pacientes desde o primeiro contato, respondendo mensagens, sugerindo horários, realizando agendamentos e acompanhando o histórico de atendimento. Segundo os fundadores, o objetivo é reduzir falhas operacionais que impactam diretamente a conversão de novos pacientes e o faturamento das clínicas.
A ideia do negócio surgiu a partir da experiência do CEO Miguel Monjardim Andrade no atendimento a empresas da área da saúde. Dono de uma agência de marketing voltada principalmente para médicos, dentistas e hospitais, ele afirma que passou a identificar problemas recorrentes relacionados à gestão operacional e ao relacionamento com pacientes. “Existia muita ineficiência operacional, processos muito manuais e pouca estrutura na jornada do paciente dentro das clínicas. Foi tentando resolver essas dores que criamos o Ailum”, afirma.
Segundo Andrade, o funcionamento da plataforma começa com um diagnóstico da operação de cada clínica para identificar gargalos e oportunidades de melhoria. A partir dessa análise, a empresa desenvolve modelos personalizados de IA voltados à experiência do paciente, redução de retrabalho e aumento de receita. “A gente não quer apenas automatizar processos. O objetivo é entender os problemas da operação e entregar resultado final para a clínica”, diz.
Dados do Panorama das Clínicas e Hospitais 2025, da Doctoralia, mostram que 64% das clínicas brasileiras têm dificuldade em atrair pacientes e 36% apontam a fidelização como desafio central. Outro problema recorrente é o não comparecimento às consultas. Levantamento da plataforma Nuria aponta que 85% das instituições de saúde registram taxas de faltas entre 5% e 20%, cenário que pode representar perdas de até 25% da receita mensal, segundo dados da Agendar Saúde.
Além da frente comercial, a plataforma também atua na rotina clínica. O sistema oferece ferramentas para organização de prontuários, geração automática de registros médicos e teleconsultas integradas com transcrição automática das consultas. Segundo o CTO da empresa, Bruno Pimentel, a proposta é reduzir tarefas operacionais e dar mais previsibilidade ao funcionamento das clínicas. “A tecnologia entra para dar padrão, continuidade e previsibilidade a esse processo”, afirma.

Segundo Andrade, uma das preocupações iniciais era a possível resistência ao uso da IA no atendimento. Por isso, o sistema foi desenvolvido para adaptar linguagem, tom de voz e fluxo de comunicação à realidade de cada clínica. “A ideia não é substituir pessoas, mas permitir que a equipe foque em demandas mais estratégicas”, explica.
Os primeiros resultados já começam a aparecer nas clínicas que utilizam a plataforma. Um dos casos acompanhados pela empresa registrou mais de 380 agendamentos em pouco mais de um mês de operação, com atendimento ativo inclusive durante madrugadas e fins de semana. “O Ailum organizou toda a operação da clínica. Hoje conseguimos manter atendimento ativo 24 horas por dia, inclusive à noite e aos fins de semana, sem perder qualidade no relacionamento com o paciente”, relata o cirurgião-dentista Guilherme Scalzer.


