A Serra recebeu mais de 42 mil novos moradores nos últimos cinco anos, segundo estudo sobre migração do Instituto Jones Santos Neves
Por Amanda Amaral
Existem hoje no Espírito Santo 102.402 imigrantes, sendo 7.419 estrangeiros que moram no estado. Foi o que mostrou o estudo Migração nos Municípios do Espírito Santo, elaborado e apresentado, nesta segunda-feira (11), pelo Instituto Jones Santos Neves (IJSN).
O documento é baseado no Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Para ler o estudo na íntegra, clique aqui. Com relação aos nascidos em outras Unidades da Federação (UFs) que fazem parte da população capixaba, entram em destaque as cidades que fazem fronteira com o estado como, por exemplo, Bom Jesus do Norte (35,12%), Mucurici (33,47%); e Pedro Canário (29,75%).
O município com o maior número de estrangeiros é Alto Rio Novo (0,52%), seguido de Vitória (0,50%) e Mantenópolis (0,44%). Vale ressaltar que o percentual é baseado na população das cidades, sendo que Alto Rio Novo e Mantenópolis possuem 7,5 mil e 12 mil habitantes respectivamente. Entre os nascidos em outras UFs que mais procuram o Espírito Santo estão: mineiros (0,53%); cariocas (0,31%); paranaenses (0,19%) e pernambucanos (01%).
Vitória é a cidade com maior diversidade: 24 nacionalidades, com destaque para Estados Unidos e Portugal. Serra é o município com mais imigrantes nos últimos 5 anos: 42.454 mil pessoas. De acordo com Pablo Lira, diretor-presidente do IJSN, a busca por qualidade de vida atrai imigrantes, considerando que o Espírito Santo apresenta um ambiente favorável com a expansão das atividades econômicas e geração de emprego e renda.
O diretor-presidente do IJSN, ressalta que o Espírito Santo foi um dos estados que mais atraiu população, enquanto outros, como Rio de Janeiro, perdeu habitantes. No país, o estado possui o sétimo maior saldo migratório – diferença entre o número de pessoas que entram (imigrantes) e saem (emigrantes) de um determinado local.
Lira destacou também que, na década de 70, a industrialização do estado ficou concentrada na Grande Vitória, além de Aracruz e Anchieta. Já a partir dos anos 2000, uma nova expansão levou pessoas para outras regiões devido ao início do ciclo do petróleo e gás. Depois, nos anos 2010, houve nova diversificação com empreendimentos como o Estaleiro Jurong, em Aracruz, e Marcopolo, em São Mateus, além da fábrica da WEG, em Linhares, e da indústria de rochas em Barra de São Francisco e Colatina.
Acesso do ES

“Hoje estamos vivendo um terceiro ciclo da industrialização, que vai além do território metropolitano. Até 2028, estão previstos R$ 98 bilhões em investimentos públicos e privados. É mais diversificação, que vai continuar atraindo população para os nossos municípios. A perspectiva para os próximos anos é que a gente continue com o saldo migratório positivo”, explica Lira, que destaca ainda que a economia do turismo representa cerca de 7% do PIB estadual e tende a crescer com a reforma tributária.
Questões de infraestrutura como a duplicação das rodovias – atualmente principais acessos para o Espírito Santo, também foram destacadas por Lira. “O Espírito Santo poderia estar numa situação ainda melhor com relação a atração populacional, se a gente tivesse uma logística adequada para caracterizar esses fluxos de migração de proximidade”, disse.
Há projetos do Governo do Espírito Santo para a duplicação da BR-262 e da BR-259, ligações importantes com Minas Gerais. Recentemente, houve a “modernização” do contrato de concessão da BR-101, com novo leilão vencido pela Ecovias 101, que já fazia a gestão do trecho no Espírito Santo.

