Em entrevista à ES Brasil, Adriana Piontkovsky Barcellos fala sobre gestão, liderança feminina e o papel do Ifes na transformação de vidas no Espírito Santo
Por Thamiris Guidoni
Pela primeira vez na história, o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) é liderado por uma mulher. À frente da reitoria desde outubro do ano passado, Adriana Piontkovsky Barcellos assumiu o cargo em um momento de expansão da rede e reforça o papel da educação pública na transformação social.
Com quase quatro décadas de atuação, a reitora construiu uma trajetória entre sala de aula e gestão até chegar ao comando da instituição. Ao relembrar essa caminhada, Adriana destaca a experiência acumulada ao longo dos anos.
“Agora em abril completo 38 anos na educação. Tenho toda uma trajetória na área e, ao longo desse caminho, fui assumindo desafios”, afirma.
A eleição para o cargo, segundo ela, foi resultado do envolvimento da comunidade acadêmica. Ao comentar a escolha, a reitora enfatiza o caráter democrático da instituição.
“Eu acredito na gestão democrática e acredito na força da comunidade. Durante todo o período, o que me moveu foi o que eu sonho para a comunidade. Meu nome foi validado numa votação histórica e isso traz uma responsabilidade muito grande”, destaca.
O fato de ser a primeira mulher à frente do Ifes também evidencia desigualdades ainda presentes. Na avaliação de Adriana, a repercussão revela que a presença feminina em cargos de liderança ainda não é naturalizada.
“Tem sido muito comemorado o fato de eu ser a primeira mulher. Mas, pela comemoração que tem sido feita, a gente percebe que isso ainda não é natural”, pontua.
Ela também chama atenção para obstáculos que dificultam a presença feminina na gestão.
“Quando você convida um homem para um cargo, ele vem. Quando convida uma mulher, ela tem outros elementos para colocar na balança, como família e outras responsabilidades. Isso dificulta a ocupação desses espaços”, explica.
À frente de uma instituição com mais de 50 mil estudantes, Adriana aponta como principal desafio manter a qualidade do ensino. Segundo ela, o foco é seguir transformando vidas.
“O meu desafio hoje é que a nossa instituição continue caminhando com qualidade, transformando a vida das pessoas, tanto dos nossos estudantes quanto dos servidores”, afirma.
A escuta dos alunos é apontada como prioridade na gestão. “Eu converso muito com estudantes. E é ouvindo eles que a gente vai encontrando os melhores caminhos para a instituição”, diz.

