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Reforma tributária: o que sua empresa deve fazer

Período de testes da reforma tributária exige revisão cadastral, adequação tecnológica e atenção aos impactos no caixa das empresas

Por Letícia Arcanjo

O ano de 2026 marca o período de testes da reforma tributária e exige atenção redobrada das empresas, desde janeiro, já estão em vigor a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), os dois tributos que compõem o modelo do IVA Dual.

A partir de 1º de agosto, porém, o descumprimento das obrigações relacionadas aos novos tributos poderá resultar em penalidades. Na prática, as empresas já precisam se adaptar a uma nova rotina de emissão de documentos fiscais.

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Segundo o advogado tributarista e sócio-fundador do Ribeiro Fialho Advogados, Marco Túlio Ribeiro, três mudanças se destacam neste momento: o destaque da CBS e do IBS nas notas fiscais por meio de novos campos obrigatórios, a correta classificação de produtos e serviços e a adequação dos sistemas à nova lógica de créditos e pagamentos.

O advogado aponta que a adaptação da gestão e da emissão de notas fiscais é o principal desafio em 2026, ele explica que erros na classificação fiscal, como o enquadramento incorreto da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) ou dos códigos tributários, podem impedir a emissão das notas fiscais e comprometer o faturamento das empresas. 

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Além dos ajustes tecnológicos, as empresas precisam revisar cadastros, enquadramentos fiscais e acompanhar os regulamentos que estão sendo publicados para disciplinar a aplicação das novas regras. A recomendação é aproveitar os próximos meses para testar processos, simular operações e corrigir eventuais inconsistências antes do início da fiscalização.

“Usar a janela atual para promover os ajustes é a melhor recomendação. Testar os sistemas e validar impactos na rotina antes da virada definitiva é o que separa quem vai operar com tranquilidade de quem vai apagar incêndio”, ressalta.

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O especialista destaca que empresas enquadradas no Simples Nacional e os microempreendedores individuais (MEIs) estão dispensados do destaque dos novos tributos em 2026, devendo iniciar esse processo apenas em 2027.

Para o advogado Lucas Judice, margem, lucratividade e saúde financeira do negócio são desafios que podem ser enfrentados pelos empresários durante a transição, o especialista aponta que em momentos de incerteza, somados à rotina corrida e atribulada dos empreendedores, elementos básicos da gestão podem ficar em segundo plano. 

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Lucas Judice é advogado patrimonial. Foto: Divulgação

“Se o empreendedor não tiver o olhar holístico sobre todo seu negócio, pode tomar um susto com o encolhimento do poder de compra da receita que gera, ou quanto que sobre no bolso dele. É momento de voltar o olhar pro básico estruturante das empresas e revalidar o modelo de negócio”, afirma. 

Segundo o advogado, um dos erros mais comuns é acreditar que a reforma afeta apenas o setor fiscal da empresa. Na prática, as mudanças exigem envolvimento da gestão, revisão do planejamento financeiro e análise dos impactos sobre produtos, serviços e estratégias comerciais.

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Os especialistas apontam ainda algumas medidas que devem ser priorizadas pelos empresários para garantir uma transição mais segura.

  • Revisar a classificação fiscal de todos os produtos e serviços e os respectivos códigos tributários;
  •  Confirmar com o fornecedor do ERP, emissor de notas e plataformas de vendas se os sistemas já estão adaptados aos novos layouts;
  •  Realizar testes e simulações de emissão de notas fiscais com CBS e IBS;
  •  Mapear os impactos do split payment e das novas regras de crédito sobre o fluxo de caixa;
  •  Avaliar a adesão a programas de conformidade tributária;
  •  Capacitar equipes internas sobre as mudanças da reforma;
  •  Revisar o planejamento financeiro e comercial para identificar possíveis impactos em preços e margens;
  •  Buscar orientação especializada para validar enquadramentos e estratégias tributárias.

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