Fundador da Fibo, Fabrício Ribeiro fala sobre inovação, branding, trabalho remoto e a importância do repertório humano na era da inteligência artificial
Por Nathanael Rodor
Do chão de fábrica de uma marcenaria familiar à liderança de uma empresa especializada em estratégia digital e inteligência artificial, Fabrício Ribeiro construiu uma trajetória marcada pela inovação e pelo empreendedorismo. Participando do Café com Moqueca, o fundador da Fibo relembrou como começou a trabalhar aos 14 anos na empresa da família, onde ajudou a modernizar processos administrativos com ferramentas como Excel e Word, e contou como essa experiência despertou seu interesse por gestão, tecnologia e melhoria contínua. “Naquela época, levar o Excel para a empresa foi uma revolução. Hoje estamos vivendo algo semelhante com a inteligência artificial”, afirmou.
Após atuar por mais de uma década no setor moveleiro e empreender no segmento de móveis planejados, Fabrício decidiu direcionar sua carreira para o marketing digital. A mudança deu origem à ForLeads, empresa que posteriormente evoluiu para a Fibbo. Segundo ele, o mercado deixou de valorizar apenas a execução operacional e passou a exigir inteligência estratégica para posicionamento de marcas. “A execução tende a virar commodity. O diferencial passa a ser a capacidade de interpretar dados, construir estratégia e tomar melhores decisões”, explicou.
Durante a entrevista, o empresário destacou que a inteligência artificial representa uma das maiores transformações tecnológicas das últimas décadas, mas acredita que ela amplia — e não substitui — a capacidade humana. Para ele, profissionais que acumulam repertório, estudam continuamente e desenvolvem pensamento crítico conseguem extrair muito mais valor das novas ferramentas. Esse princípio também orienta o modelo de trabalho da Fibbo, que opera com equipes distribuídas em diferentes estados brasileiros e no exterior, mantendo o foco em entregas e resultados, independentemente da localização dos colaboradores.
Outro ponto importante de sua trajetória foi a mudança para Portugal em 2020, onde conciliou a expansão da empresa com uma antiga paixão: o universo do vinho. No país europeu, estreitou relacionamento com produtores locais, aprofundou seus e iniciou uma parceria que mais tarde resultaria na criação da importadora Mil Curvas Vinhos, especializada em rótulos portugueses. A experiência também reforçou sua visão sobre inovação, empreendedorismo e internacionalização dos negócios.
Além da tecnologia, Fabrício atribui parte de sua formação ao hábito constante de estudar e participar de ambientes de desenvolvimento de lideranças, como o Instituto Líderes do Amanhã. Para ele, em um cenário cada vez mais automatizado, conhecimento e capacidade de conectar diferentes áreas continuarão sendo os principais diferenciais competitivos. “A inteligência artificial ajuda a produzir mais e melhor, mas o repertório continua sendo construído pelas pessoas. É ele que transforma informação em valor”, concluiu.

