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Julho das mulheres pretas, dias de luta

Julho das mulheres pretas, dias de luta

O Julho das Pretas é uma ação de incidência política e agenda conjunta e propositiva com organizações e movimento de mulheres negras do Brasil

Por Manoel Goes Neto

No Brasil a partir de 2014, por meio da Lei 12.987, é estabelecido no dia 25 de julho, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, com o propósito de dar visibilidade para o papel da mulher negra na história brasileira, através da figura de Tereza de Benguela. Ao longo da história de nosso país, as mulheres negras estiveram à frente de várias lutas, sobretudo, pelo direito de viver com dignidade. Contudo, esse ainda é um objetivo não alcançado, pois o direito à vida quando se refere às mulheres negras é ameaçado constantemente.

Temos muitas “Terezas Poetas”, exemplo disso é o evento Sarau Julho das Pretas, que mais uma vez promove na galeria VilaZinha Espaço Artes, na Prainha de Vila Velha, no dia 25/07, 14h, com muita poesia, música e rodas de conversa. O atuante Coletivo Diversidade Literária, liderado pela poeta Advanir Rosa, tem também o propósito de dar voz às mulheres pretas através da literatura escrita por escritoras pretas, dando mais voz, celebrando a força e ancestralidade e as suas lutas. Exemplo de grande pertencimento, sempre lembrando da história, das vitórias alcançadas e as que ainda estão por vir, com união de todas para um futuro de mais igualdade e respeito

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Tereza de Benguela, foi uma líder do Quilombo Quariterê, localizado no atual estado do Mato Grosso, por meio do qual lutava contra o governo escravista e coordenava as atividades econômicas e políticas do Quilombo. Assim como outras heroínas negras, Tereza de Benguela é um dos nomes esquecidos pela historiografia nacional.

Nos dias atuais é significativa a participação das mulheres quilombolas e das mulheres de comunidades periféricas de tradicionais casas de matrizes africanas, na proteção das tradições culturais do nosso provo preto, na defesa da titulação das terras de suas comunidades, na busca pelo desenvolvimento e dos direitos sociais fundamentais, como a educação formal e à saúde, dando visibilidade e inspiração ao papel da mulher negra na história brasileira.

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O Julho das Pretas é uma ação de incidência política e agenda conjunta e propositiva com organizações e movimento de mulheres negras do Brasil, voltada para o fortalecimento da ação política coletiva e autônoma das mulheres negras nas diversas esferas da sociedade.

Agora temos enfim, desde novembro de 2025, a primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL) a escritora Ana Maria Gonçalves. Ela foi eleita para a cadeira 33, vaga com a morte de Evanildo Bechara, e se tornou a mais jovem imortal da ABL.

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A escritora, conhecida por obras como “Um defeito de cor”, que já vendeu 180 mil exemplares, venceu o Prêmio Casa de las Américas (2007), foi eleito o melhor romance brasileiro do século 21 e virou enredo da Portela no carnaval de 2024. Recebeu 30 dos 31 votos possíveis na sua eleição na ABL. Ana Maria Gonçalves também é reconhecida por debates sobre literatura e questões raciais, além de atuar como professora de escrita criativa e curadora de projetos culturais. Com a honraria, Ana se torna a primeira imortal negra da história da instituição em 128 anos, e a 13ª mulher a ingressar na ABL. Lembrando sempre que racismo é crime, não à intolerância e ao machismo, tendo identidade ímpar com a líder quilombola Rainha Tereza de Benguela. Sagrada ancestralidade!

Manoel Goes Neto é escritor, produtor cultural e diretor no IHGES

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